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ABAIXO A DITABRANDA! Luiz Marcos Gomes (*)
Política Nacional | 5 de março de 2009 | Envie para um amigo
Convocada manifestação em frente à Folha de S. Paulo (SP), dia 7, sábado, às 10 h
Após seguidos protestos ao jornal Folha de S. Paulo que, em editorial publicado em sua edição do último dia 17, qualificou a ditadura militar que vigorou no país de 1964 a 1985, de “ditabranda”, os diversos setores que reagiram com veemência e indignação a esta tentativa de “revisão histórica” feita pela Folha marcaram um ato de protesto a realizar-se no próximo dia 7, sábado, às 10 h, na cidade de São Paulo, em frente à sede do jornal, à Alameda Barão de Limeira, 425. A idéia da manifestação partiu do site cidadania.com, de Eduardo Guimarães.
O ato, além de lembrar as vítimas da ditadura militar-mortos, desaparecidos, torturados, presos-, também será uma manifestação de solidariedade aos professores Fábio Konder Comparato e Maria Vitoria Benevides que, ao protestarem firmemente contra o termo “ditabranda”, foram qualificados pela direção da Folha como “cínicos e mentirosos”.
Há farto material na internet em que se analisa e se comprova a clara intenção da Folha de S. Paulo em “ditabrandar” a ditadura militar, em virtude das ligações íntimas que a empresa proprietária do jornal manteve com a ditadura. Em março de 2004, foi publicado pela editora Boitempo vasto estudo da pesquisadora Beatriz Kushnir, intitulado “Cães de Guarda- Jornalistas e Censores, do AI-5 à Constituição de 1988”, em que ela investiga a ligação dos grandes veículos de comunicação com a ditadura. E um dos fatos mais comprovados são as estreitas relações entre os militares e os empresários Otávio Frias de Oliveira e Carlos Caldeira Filho, proprietários, desde 1962, da empresa Folha da Manhã –responsável, entre outros, pelos jornais Folha de S. Paulo e Folha da Tarde. O jornal Folha da Tarde (que não existe mais) era tão vinculado à repressão da ditadura que recebeu, no meio jornalístico, o dístico de “jornal de maior tiragem”, devido ao número de “tiras” e policiais que “trabalhavam” em sua redação.
Além disso, investigando onde os editorialistas da Folha foram encontrar o termo “ditabranda”, vários internautas revelaram a existência de um vídeo disponível na rede em que o ditador chileno, general Augusto Pinochet, emprega, em espanhol, este termo (ditablanda) (veja o vídeo: results?search_type=&search_query=pinochet+ditablanda&aq=f). Foi aí que a Folha de S. Paulo foi se inspirar, mesmo porque tal palavra praticamente nunca havia sido utilizada no Brasil. Muitos dos que tentaram e tentam evitar a palavra “ditadura” para qualificar o regime de terror dos generais implantado no país com o golpe de 31 de março de 1964, usam com freqüência eufemismos como “regime autoritário”, “regime de arbítrio” ou “regime de exceção”. Mas é a primeira vez que um grande jornal de circulação nacional e de peso, como a Folha de S. Paulo, cunha em português o termo “ditabranda”, revelando a quem o jornal reverencia e com quem mantém o rabo preso.
(*) Jornalista
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Luiz, há a possibilidade de se convocar o boicote ao jornal? Seria uma boa forma de protesto para os que não poderão comparecer fisicamente à manifestação em São Paulo. Obrigada.
Luiz,
estou de acordo com a Sra. Renata Moreira, apesar do fato de que comparecerei fisicamente na manifestação - Renata, bradarei com os demais em seu nome também, caso queiras.
Mui grato.
Caio,
Com certeza, pois a luta é de todos nós! Temos que organizar outros atos, em São Paulo e quiçá em outros lugares, estados, capitais, etc. Você que está em São Paulo, nos informe sempre sobre o que fazem. Renata
Há várias propostas na rede no sentido de se boicotar a Folha de S. Paulo e outros véculos, como Veja, que cada vez mais misturam, ostensivamente, noticiário informativo com suas posições ideológicas. Assim, as matérias ficam ilegíveis e estes meios de comunicação vão perdendo toda a credibilidade. Pessoalmente, cancelei minha assinatura da Folha no ano passado, depois de ela ter feito uma campanha sórdida contra os anistiados e não tomar conhecimento de nossa indignação e das inúmeras cartas que enviamos.
Somente a TV Brasil cobriu o ato público realizado no último sábado, dia 7, em frente à sede do jornal Folha de S. Paulo, para protestar contra a posição do jornal que chamou de “ditabranda” a ditadura militar brasileira que vigorou no período de 1964 a 1985. Mais de trezentas pessoas participaram do ato. Veja aqui a reportagem da TV Brasil sobre a manifestação:
http://www.youtube.com/results?search_type=&search_query=tv+brasil+ditabranda&aq=f
A MÍDIA REPRODUZ O QUE QUER, O POVO FICA OPRIMIDO INTELECTUALMENTE E AQUELES QUE CONQUISTAM A ALMEJADA LIBERDADE DE INFORMAÇÃO SÃO TIDOS COMO MENTIROSOS…
os meios de comunicação não reproduzem a realidade pois ainda encontram-se sob regime autoritário e ditatorial.