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O ESTADO DE MINAS, PASSARINHO E SARNEY, Fernando Massote
Minas Gerais | 31 de março de 2009 | Envie para um amigo

O jornal Estado de Minas, assíduo freqüentador do confessionário da Opus Dei, na Universidade de Navarra, fez mais uma reforma. Os textos e os caracteres diminuíram e as fotos se agigantaram. Ele tem agora uma boa desculpa para a vacuidade de suas páginas: se houvesse pensamento não haveria lugar para as fotos… A diagramação ficou toda quadrada, em todos os sentidos, com especial destaque para os pejorativos. Um amigo se cansou de pescar no deserto e concluiu: “é difícil encontrar o que ler naquele jornal”…
O nome de maior destaque entre os cronistas do jornal é o do eterno coronel Jarbas Passarinho, que ficou famoso por ter balbuciado, na sinistra reunião dos estrelados generais e seus colaboradores, de 13 de dezembro de l968, enquanto assinava o AI-5: “Ao diabo (ou coisa parecida que pode também ter sido “à m…”) todos os escrúpulos de consciência”!… Ele conta isto no tom e nos termos de uma paráfrase de Napoleão à frente de seus soldados diante da Pirâmide de Ghizet, no Egito, em 21 de julho de l897: “…Vinte séculos vos contemplam!”… Dizem que ele abandonou, então, a caneta e a mesa com os passos cadenciados de quem escutava e seguia o ritmo dos tambores do grande general que arrancava o Egito das mãos dos inglêses.
Com esforços argumentativos cansativos, estereotipados e apoiado numa literatura de direita, saudosista da guerra fria, à la Raymond Aron e outros colaboradores menores da CIA, o coronel não consegue disfarçar a sua subserviência à ditadura. Diz ele, com efeito, confessando-se o lambe-pés dos generais que sempre foi, que “Nenhum ministro civil teria condições de contestar os ministros militares e seus chefes de Estado-Maior” sobre AI-5! E acrescentou, remoendo, inaudivelmente, as palavras, “muito menos eu”!…
Passarinho disse num programa televisivo, que suas mãos estavam “livres do sangue de qualquer adversário”. O Filho de Vladmir Herzog, participando do mesmo programa, respondeu, emocionado: “me desculpe, mas as suas mãos não estão limpas. O senhor foi conivente com o regime que matou meu pai, então as suas mãos estão tão sujas quanto as da pessoa que deu choque e o matou.” Referindo-se ao AI-5 que inaugurou o período de terror mais aberto da ditadura, reiterou: “O senhor assinou junto com aquelas pessoas um modelo de Estado que permitiu que pessoas como o meu pai e Manoel Fiel Filho (metalúrgico morto por tortura em janeiro de 1976) fossem assassinadas. O senhor foi conivente com aquilo lá. Isso daí a gente não pode esquecer”.
Outro, que também é eterno (enquanto dura…), é o José Sarney, que, num dos seus últimos artigos, jurava, de pés juntos e regozijando-se, que George W. Bush era um dos seus mais assíduos leitores!… Alguém me disse: “– Eu acredito. Nos textos de Sarney não há mesmo o que interpretar!…”
Outro que entende de Sarney é o amigo Carlos Alberto – autor de crônicas esquisitas, (se disser mais vocês o identificam!…) não no sentido português, do termo, mas no sentido francês de exquis, do espanhol esquisito, italiano squisito, ou seja: excelentes, preciosas, deliciosas. Diz ele que Sarney “desabona, com a sua presença, a Academia Brasileira de Letras. Não entendo como o aceitaram lá. Escreve muito mal.”
Mas no Estado de Minas escrevem também outros que não são nem tão coronéis e nem tão eternos quanto os já citados. Eles fazem bem em fechar os olhos e as narizes para o que ali ocorre!…
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Teoria conspiratória? A Espanha decidiu na década de 90, na onda das privatizações, reconquistar a América do Sul. E não se contentou com Argentina e outras antigas colônias. Por que também não o Brasil, mais importante país do continente? Para isso, precisava da colaboração da imprensa. De pronto, teve a ajuda da Universidade de Navarra, que passou a fornecer generosas bolsas para jornalistas brasileiros irem estudar na Espanha.
Não acho, porém, que a culpa pela situação muito bem descrita aqui pelo professor Massote em relação ao Estado de Minas seja exclusivamente dos mestres espanhóis. Francamente, o jornal nunca prestou.
A título de exemplo, recorro a Joel Silveira, um grande repórter que entendia bem de Diários Associados. No livro “O generalíssimo e outros incidentes”, ele lembra uma experiência de Milton Campos, que assumiu o governo de Minas em 1947, encontrando “um estado emperrado, amarrado a mil compromissos, com uma administração desorganizada, finanças em bancarrota, as velhas tradições humilhadas e ofendidas”. Ele inovou, suspendendo drasticamente qualquer propaganda nos jornais. “Somente a primeira Mensagem do governo de Milton Campos foi publicada na imprensa, mas isso porque ele não sabia que se tratava de matéria paga. Cientificado de que teria que pagar pelo que ingenuamente lhe pareceu uma homenagem dos diários mineiros, deu ordens severas para que o fato não mais se repetisse. A partir de então, apenas a Folha de Minas, órgão do governo, passou a publicar as matérias, inclusive as Mensagens, de interesse do Palácio da Liberdade”.
Milton Campos mudou Minas, mas não conseguiu eleger o sucessor. A imprensa não mudou. E Aécio tem grandes chances de eleger mais um poste para substituí-lo no governo. O contribuinte, mais uma vez, vai pagar. E o “Estado de Minas” vai continuar faturando, independentemente da qualidade do produto que ele oferece aos leitores.
No Observatório da Imprensa desta semana mais notícias sobre o “grande jornal dos mineiros”.
Vale a pena ler:
http://veja.abril.com.br/270705/p_066a.html
Envolvimento do Jornal Estado de Minas com Marcos Valerio…
Parabéns, Fernando. O artigo está muito bom, tudo irretorquivelmente veraz.O ” grande jornal dos mineiros”negocia até o horóscopo. Neste sentido, procure saber o que está por detrás da campanha contra o TRT. Aliás, de todas as campanhas movidas pelo jornal.
Abraço do
Carlos Alberto
O incrível é que não somente o Jornal Estado de Minas é desinformador, mas também os jornais que hoje são moda para o povão, jornal Aqui e etc, nem se quer possuem um caderno política ou economia, apenas retratam a violência… mas se pararmos pra pensar… a violência é fruto da ausência de política….. aí pode-se até ver uma lógica na falta de caderno de política….