O FARAÓ AÉCIO NEVES (*), Fernando Massote

Minas Gerais, Política Nacional | 5 de junho de 2009 | Envie para um amigo

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Dizem que Aécio Neves, vivendo em eterna crise adolescencial, não gosta muito que se lembrem do seu avô, cuja memória o coloca sempre como um “filho do avô”, ou seja, alguém que se lançou na política graças a Tancredo, exibindo permanentemente a carência de uma militância política originária (e original) motivando um perfil moral capaz, este sim, de lhe dar “vôo próprio”.

Esta falta de seiva própria o faz um governante dado a “performances” permanentemente desencaixadas do sentimento popular e a cultura local.  Busca força em modelos mais que abstratos, estereotipados,  para ele “exemplares”, tirados de certos políticos “tipo”, como Kubitschek, por ele retalhados para fins de grandeza mitomaníaca, cujo custo é sempre e covardemente, o povo que paga. O chamado “déficit zero” de raiz, natureza, perfil e efeitos neoliberais, alinhado, portanto,  com as políticas do “estado mínimo”, tanto quanto o seu abracadabra maior da parceria público-privada, são exemplos muito ilustrativos. Nada de novo nesta perversidade “público-privada”, que é uma política construída nas pegadas do ultra-liberalismo de Friedrich Hayeck, hoje em crise planetária.

A maior ilustração do perfil psico-cultural e político proposto acima está, no entanto, no chamado “Novo Centro Administrativo” que o neto de Tancredo está construindo na região norte da capital a toque de caixa e a custos que sobem nas estrelas! Vejam os dados da “obra” no link: Disneylândia.

O jornal Estado de Minas, que tem sido, desde 2003, o fidelíssimo porta-voz do governo Aécio, concorda plenamente com a nossa interpretação, dizendo, na edição de hoje (05 de junho 2009), que o neto de Tancredo, replicando telefonicamente ao vice-presidente José Alencar, a propósito da obra em causa, disse que “pouco ou nada usará o novo centro, mas que quer ser lembrado por tê-lo construído”… Mais pirâmide que isso só mesmo há 4.000 anos atrás!

Dª. Naná, minha professora primária de história, procurou, certa vez, decifrar o enigma da construção das pirâmides pelos faraós, dizendo: “eles não confiavam muito na promessa religiosa da vida eterna nos céus ou não se contentavam de sobreviver só lá nos céus e então, para sobreviver no além e aqui na terra também, inventaram as pirâmides”. Grande e boa Dª. Naná, não viveu no Egito antigo nem nunca soube de Aécio Neves mas já falava da essência de ambos! O caminho de Aécio é, enfim,  tão novo quanto o dos faraós do antigo Egito.

(*) Vejam, no link que segue, a cascata de comentários negativos sobre Aécio Neves por parte de pessoas de todo o país: Aécio 

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Comentários:

16 comentários sobre “O FARAÓ AÉCIO NEVES (*), Fernando Massote”

  1. Gilson Raslan em 8 de junho de 2009 02:38

    E o norte de Minas, sobretudo o Vale do Jequitinhonha, continua miserável. Este é o cidadão que quer governar o Brasil. Que Deus nos livre dele e de todos os tucanalhas/demos.

  2. José Orair da Silva em 8 de junho de 2009 11:12

    Parabéns pelo post. Tenho a impressão de que o nosso Governador deve muito ao ex-governador Newton Cardoso. O Newtão fez uma administração tão desastrosa que, depois dele, todos os nossos governadores foram considerados regulares ou bons. É possível que o povo mineiro, envergonhado pela eleição do Newtão, tenha perdido a sua capacidade crítica assumindo uma atitude de indulgência em relação aos seus sucessores. Uma coisa entretanto é absolutamente certa: a área de comunicação e marketing está dando um show… 40 quilômetros de asfalto, por exemplo, foram transformados na obra do século…

  3. Marco Túlio de Carvalho Rocha em 8 de junho de 2009 11:19

    Prezado Prof. Massote,

    nessa obra, não sei o que impressiona mais: o narcisismo de seu inspirador, a desnecessidade do feito, o desperdício do dinheiro público, sua incapacidade de solucionar os problemas da administração pública mineira ou o silêncio com que vamos engolindo o sapo.
    Faltou ao governador a leitura de “O mundo é plano”, do jornalista Thomas Friedman, que mostra a tendência de os serviços serem prestados à distância, via computador, tornando obseletos “monumentos” como o que estamos começando a pagar.
    Um escândalo!

  4. Délcio Vieira Salomon em 8 de junho de 2009 11:43

    A análise política do professor Massote é convincente e contundente. Infelizmente somos um país grande e bobo, como diz repetidamente o jornalista Eduardo Reis no Estado de Minas. Para mim, já desencatado desde o governo FHC com a política brasileira, Lula, FHC, Serra, Aécio são farinha do mesmo saco. Move-os não a Política maiúscula, mas a politicagem, a necessidade de fazer da política meio para atingir um fim mais do que sórdido: a vaidade e o lucro material que o poder representa. Realmente dá asco!

  5. Maria Inez Salgado de Souza em 8 de junho de 2009 11:59

    Acho que níinguem mais pode ter dúvidas quanto ao fascínio que o Sr. Aécio tem pelo “glamour” e o esplendor de sua “obra” faraônica”. É como se fosse um brinquedo juvenil: uns correm de Kart outros vão para a fórmula 1 a custa de seus papais e ele resolveu criar um centro administrativo na esteira de Kubitschek e sua Brasília. Quem viver verá…
    Isso está causando prejuízo não apenas ao bolso dos contribuintes. Mais grave do que isso é a degradação, para sempre, da vida no eixo ao norte da capital. Teremos logo a Linha Verde com engarrafamentos, as pequenas cidades circunvizinhas já megulhadas numa louca especulação imobiliária, o “inchamento” populacional sem nenhum planejamento por parte do Estado trazendo graves consequencias sócio-ambientais. Isso tudo por um capricho do Herdeiro de Tancredo!

  6. Antonio Botelho Marinho em 10 de junho de 2009 05:34

    O professor Massote, com seu agudo senso analítico, aponta os limites políticos do delírio faraônico de Aécio Neves da Cunha. Mas ainda falta acrescentar um argumento, com o qual nem todos concordam, claro, mas que entendo conveniente expor. A troca de idéias tem esse objetivo, não é mesmo?

    Pelo ângulo de abordagem de problemas desse tipo que adoto, o maior mal de condutas como as de Aécio é a repercussão moral social negativa, que distorce a formação das consciências. 600 mil favelados em Belo Horizonte, pedurados nos morros, morando mal, sendo mal assistidos na saúde, na educação, na segurança, no abastaceimentos, etc. e Aécio consumindo mais de R$ 1 bilhão numa obra totalmente desnecessária…

    Falta ao governador refletir melhor sobre seus atos e para isso não faltama referenciais. Por exemplo, o Mestre Jesus alertou para que não se ajunte “tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam”. (Mateus 6:19) Porque daqui só levaremos o bem que fizermos aos nossos semelhantes, o resto fica e acaba se tornando objeto da curiosidade de arqueólogos e historiadores, nada mais.

    Não se tenha dúvida. Pessoas como Aécio ainda vâo lamentar amargamente não só o mal que fizeram, mas também o mal que decorreu do bem que não fizeram.

  7. Toninho em 11 de junho de 2009 18:35

    Do artigo todo a mehhor foi a presença de fala de D. Naná.
    abração
    Toninho

  8. marcio em 5 de agosto de 2009 11:31

    não podemos deixar o aecio governar o brasil. como manipula a midia, temos que fazer campanha nos blogs, para que o brasil conheça quem e o ditador que infelizmente governa mg.

  9. UM ELEFANTE INCOMODA MUITA GENTE, José de Souza Castro (*) | Fernando Massote em 7 de agosto de 2009 08:37

    [...] eu poderia escrever a respeito que já não o tenha feito o professor Fernando Massote no artigo “O Faraó Aécio Neves”, publicado neste blog em 5 de junho e que cita o mesmo repertório dos slides em que a [...]

  10. Lúcio Jr em 7 de agosto de 2009 22:05

    Oi, professor. Boa análise. Eu vi e divulguei em meu blog acima o vídeo onde o sr. aparece.

    Você ainda é gramsciano? Eu me lembro de uma polêmica conferência sua em Juiz de Fora, comentando que os militares desenvolveram o país entre 1964-84, diferente do que a esquerda pensou…esse não era o argumento do FHC? Queria que o senhor voltasse a esse assunto.

    Abs do Lúcio Jr.

  11. Lúcio Jr. em 8 de agosto de 2009 08:45

    Oi, professor. Boa análise. Eu vi e divulguei em meu blog acima (http://www.penetralia-penetralia.blogspot.com) o vídeo onde o sr. aparece.
    Eu me lembro de uma polêmica conferência sua em Juiz de Fora, comentando que os militares desenvolveram o país entre 1964-84, diferente do que a esquerda pensou… Queria que o senhor voltasse a esse assunto.
    Abs do Lúcio Jr.
    Confiram o vídeo aqui:
    http://massote.pro.br/2008/06/documentario-internacional-sobre-a-censura-da-imprensa-mineira/

  12. Marcos Altenhoffen em 21 de outubro de 2009 11:37

    Engraçado, não era asssim mesmoq ue falavam do Juscelino, na época da construção de Brasília?

  13. REGINALDO DA SILVA SOUSA em 31 de dezembro de 2009 09:08

    AÉCIO NEVES É UMA DAS POUCAS LIDERANÇAS POLITICAS DESSE PAÍS QUE INSPIRA CONFIANÇA. IMAGINAMOS UM PRESIDENTE DA REPÚBLICA QUE OLHE PARA TODOS, MAS QUE TENHA UM CARINHO ESPECIAL PELA JUVENTUDE QUE VIVE SEM PERSPECTIVA NENHUMA E NINGUÉM PERCEBE E SE PERCEBE NÃO FAZ NADA. FICO TRISTE QUANDO VEJO UMA REPORTAGEM DE 5 , 6 MINUTOS NO HORÁRIO NOBRE DA TV, FALANDO EM CONSTRUÇÃO DE PRESÍDIOS OU TRÁFICO DE DROGAS. A SOLUÇÃO É CRIAR ÓPORTUNIDADES DE EDUCAÇÃO E EMPREGO. AÉCIO O BRASIL PRECISA DE VOCÊ.

  14. A CIDADE ADMINISTRATIVA E “O POVO QUE PAGA”, José de Souza Castro (*) | Fernando Massote em 2 de fevereiro de 2010 06:33

    [...] a maior obra do governo mineiro e aquele elefante branco que o professor Massote, no artigo “O Faraó Aécio Neves”, em junho passado, viu como o espectro de uma pirâmide, pois construída para preservar para a [...]

  15. kelson em 18 de março de 2010 11:30

    Não acredito que este dinheiro empregado na C.A.
    teria um uso digno em outros governos.Como não acredito em jesus cristo,papai noel etc….

  16. SILVIA em 1 de maio de 2010 00:04

    GREVE DOS PROFESSORES EM MINAS GERAIS
    Há bastante tempo, tenho comparado a situação do professor de Minas Gerais aos trabalhadores hebreus no Egito. Sob forte escravidão os hebreus clamavam a Deus por libertação. Faraó exigia um resultado dando barro e palha. E o resultado tinha que ser além daquilo que os trabalhadores suportavam.
    Deus vendo o a angústia do povo, manda Moisés e este tenta fazer negociação com Faraó. O grande ditador supondo que os trabalhadores estavam muito ociosos, uma vez que tinham tempo de reivindicar, tirou a palha com que faziam os tijolos e exigia a mesma produção. Mais uma vez Deus interveio e através de Moisés começaram as negociações. O povo por sua vez, diz em Ex: 6: 9, não conseguia entender a proposta de Moisés “por causa da ânsia de espírito e da dura escravidão”. Mesmo assim, Moisés não parou. Faraó endurecia cada vez mais, mas chegou uma hora que eles conseguiram sair do domínio do escravocrata. Pensam que o ditador cedeu? Claro que não. Foi à beira do Mar Vermelho que o povo de novo ficou com medo e Deus deu uma ordem a Moisés: “Diga ao povo que marche”.
    Companheiros e companheiras, tenho orado há muito tempo para que este dia chegasse. Temos sido exigidos além de nossas forças. A cada dia tiram de nós as condições de trabalho e sufocam-nos com pedidos de resultados incompatíveis com o que cremos e que podemos fazer. Além de muitas vezes não sabermos para onde o sistema educacional está indo. Isso não é educação de qualidade.
    Temos um sindicato que tem tentado fazer as negociações. Os magos de Faraó com seus shows pirotécnicos aparecem na mídia. Nós por sua vez parecemos sem rosto na imprensa. Não importa, é hora de marchar. E a marcha é a greve. Só assim nosso mar vai se abrir. Talvez, professor, você que durante muito tempo esteve debaixo dessa dura escravidão e dessa ansiedade não esteja crendo, mas essa é a nossa hora. Precisamos não murmurar e sim lutar. Precisamos nos organizar e encorajarmos uns aos outros.
    A música abaixo foi feita por uma professora de minha escola, aqui no interior de Minas, e é uma paródia da música “Sorte Grande”(Poeira),da Ivete Sangalo .Que tal cantá-la em seus encontros e com isso encher o coração dos nossos colegas de esperança.
    Ai vai:
    Refrão: Já chega, já chega, já chega.

    Educação não é brincadeira.
    Não dá mais pra agüentar
    O governo falar
    Que a educação de Minas é modelo
    Modelo não é não
    Com tanta opressão
    A educação vive um pesadelo

    Exige mais trabalho
    Diminui o salário
    O velho faraó voltou
    Buscamos esperança,
    Respeito e segurança,
    Salário justo para o professor.
    Com um forte abraço,
    Sílvia .
    Professora de Inglês e Português
    ( Mutum- Minas Gerais)

    EM GREVE

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