CRESCE MATRÍCULA NAS UNIVERSIDADES PRIVADAS: UNESCO APONTA RISCOS, Phil Baty (*)

Cultura e Educação | 21 de setembro de 2009 | Envie para um amigo

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A Conferência Mundial sobre Educação Superior de 2009, ocorrida em Paris, na semana passada, manifestou o crescimento explosivo da oferta nas universidades privadas. Dois relatórios apresentados durante o evento, organizado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), revelam que os provedores privados já atendem 30% da matrícula global no ensino superior. Entretanto, na conferência se disse também que isto pode representar um risco para os padrões acadêmicos, dado que os provedores privados costumam oferecer cursos de nível baixo e aceitar estudantes que carecem das qualificações requeridas pelas instituições tradicionais. Também podem diminuir a função acadêmica tradicional, antepondo-lhe considerações comerciais e reduzindo a influência do pessoal acadêmico em favor de uma direção de tipo empresarial. 

O primeiro relatório, No caminho de uma revolução acadêmica: relatório sobre as tendências atuais, afirma: “A propagação do ensino superior privado [...] é um dos fatos mais notáveis dos últimos decênios”.

Até 80% das instituições de educação superior da Coréia, Filipinas, Japão e Indonésia são privadas, e mais da metade da população estudantil do Brasil, México e Chile recebe educação nessas instituições, segundo o relatório. Escrito por Philip Altbach, diretor do Centro para a Educação Superior Internacional do Boston College, o relatório acrescenta que “as instituições privadas de ensino superior, muitas das quais com fins lucrativos, [...] representam o setor de crescimento mais rápido em todo o planeta”. 

“Em geral, o setor privado “absorve a demanda”, oferecendo acesso ao ensino superior a estudantes que talvez não estejam qualificados para ingressar nas instituições públicas ou que não podem matricular-se em outras universidades que já estão atestadas. [...] Em geral o setor privado atende a uma clientela massiva e não goza de prestígio”, conclui. 

Estas universidades “são geridas seguindo um modelo empresarial e, nelas, o poder e a autoridade se concentram nos conselhos de administração e os conselheiros delegados, o corpo docente possui escassa autoridade ou influência e se tratam os estudantes como consumidores”.

O relatório também aponta uma tendência para a privatização das universidades públicas: “Países como Austrália e China pediram explicitamente às universidades que financiem uma porcentagem maior de seus gastos de funcionamento gerando receita própria”. Isto inclui os direitos de matrícula e as verbas de consultoria e de vinculação à indústria.

  

Aqui, acolá e em toda parte: crescimento privado
  0-10 (%) 10-35 (%) 35-60 (%) 60+ (%)
Países em desenvolvimento Cuba, África do Sul Egito, Quênia Índia, Malasia Brasil, Indonésia
Países desenvolvidos Alemanha, Nova Zelândia Hungria, Estados Unidos  Japão, República da Coréia

 

  
“Em alguns casos, essas fontes financeiras contribuem para a comercialização da instituição e se chocam com os papéis tradicionais da universidade”. 

N.V. Varghese, responsável pelo governo e gestão da educação no Instituto Internacional para a Planificação da Educação da UNESCO e co-autor do segundo relatório, Uma nova dinâmica: o ensino superior privado, apontou que os provedores privados reduzem seus custos em parte porque se nutrem de professorado em tempo parcial. E acrescentou que o setor necessita regulação.

“O setor privado de educação superior pode ser um sócio confiável com responsabilidade social se está bem regulado”, afirmou em uma conferência de imprensa do evento. “É necessário proteger os estudantes”.

Koichiro Matsuura, diretor geral da UNESCO, declarou que o aumento da oferta privada é uma das “quatro dinâmicas”, que estão causando uma “verdadeira revolução” na educação superior.

As outras são: o aumento da demanda, com 51 milhões adicionais de matrículas desde o ano 2000, o impacto da tecnologia da informação e a globalização.  

“Temos que conseguir um equilíbrio entre cooperação e competência, com vistas a promover a excelência”, declarou.  

Tradução de Paulo Barbosa

(*) Phil Baty é editor adjunto do The Times Higher Education, responsável pela cobertura internacional, incluído o World University Ranking anual. Também publica notícias e colunas de opinião eletrônicas.

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