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UM NOVO REICHSTAG?, Fernando Massote (*)
Política Internacional | 22 de setembro de 2009 | Envie para um amigo
Os Estados Unidos se aproximam fantasticamente da imagem do “gigante com os pés de barro” tão cara ao filão bonapartista do pensamento político e militar. Napoleão podia mesmo se dar ao luxo de desafiar tão intimamente os seus adversários por se conformar à realidade e ao carisma de um poder militar que sobrepujava, no plano sociopolítico e ético, os seus adversários, que representavam monarquias feudais odiadas pelos seus povos. Ele declarava, de fato, que “minhas guerras são políticas”.
Os Estados Unidos estão, hoje, no lugar das monarquias retrógradas e corruptas que se opunham a Napoleão. Eles perdem liderança e se apóiam sempre mais e tão-somente na força bruta. E não opõem tampouco às críticas nenhuma linha de defesa substantiva. Refugiam-se, sempre mais, numa retórica patriótica vazia como a de comparar a invasão e guerra contra o povo iraquiano à luta contra Hitler entre 1941-45. Um caso, notoriamente, contraria outro!…
A luta de resistência dos iraquianos e a oposição mundial estão impondo aos “gigantes” concessões cada vez mais surpreendentes. Bush acaba de declarar, com efeito, que “compreende” os iraquianos que lutam contra o seu exército. “Nem todos são terroristas; os homens-bomba, sim, mas os demais combatentes não”. E por que não? Responde ele mesmo com todas as letras: “eles não suportam a ocupação (norte-americana)”. Só faltou chamar os torturados do inferno de Abu Graibh pelos seus verdadeiros nomes: patriotas e mártires da causa iraquiana.
Estas declarações buscam, desesperadamente, recosturar uma relação com os iraquianos, sem a qual o novo governo fantoche que estão impondo ao país não poderá se viabilizar sem rechaçar os norte-americanos.
O especulador Georges Soros declara em seu livro “A bolha da supremacia americana” que acaba de sair no Brasil: “Sustento que o governo Bush explorou deliberadamente o 11 de setembro para promover políticas que de outra forma o público americano não teria aceitado.” O estudioso de questões sobre segurança internacional Michael T. Klare concorda: “O projeto imperial de Bush é anterior ao 11 de setembro. Se não fosse o 11 de setembro, esse projeto teria sido rechaçado pelo povo estadunidense. Foi depois do 11 de setembro que o povo abraçou este projeto imperial disfarçado de antiterrorismo (…) Muitos temem que, para evitar uma derrota de Bush nas eleições de 2004, possa ainda acontecer algo grande,”
Paira no ar, portanto, de forma muito sinistra, ameaçando o mundo inteiro, a lembrança do incêndio do Reichstag que levou à ditadura de Hitler em 1933 e à Segunda Guerra Mundial em 1939.
(*) Texto originalmente publicado no livro A história pela Metade, cenários de política contemporânea, 3ª edição, Editora UFV, Viçosa, 2008, págs. 170-172.
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