CAFÉ DA MANHÃ COM MARINA SILVA, José de Souza Castro (*)

Política Nacional | 8 de julho de 2010 | Envie para um amigo

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A candidata do PV à presidência da República, senadora Marina Silva, se reuniu na manhã desta quinta-feira em Belo Horizonte, no Hotel Mercur, durante café da manhã, com um grupo de uns 30 dirigentes partidários e apoiadores de sua campanha. Estive lá, convidado pela coordenadora do Comitê Suprapartidário, Sandra Starling, juntamente com alguns jornalistas. E saí sem ouvir a resposta a um desafio lançado por um dos presentes ao candidato ao governo de Minas, deputado federal José Fernando Aparecido, que foi prefeito de Conceição do Mato Dentro por seis anos, de 2000 a 2007: “O senhor se arrepende de ter aberto o município à MMX e à Ferrous?”

O perguntador, Gustavo Gazzinelli, é um jornalista mineiro atualmente desempregado, mas que até recentemente fez parte do governo Lula como gerente de uma área do Ministério da Cultura, quando o ministro era Gilberto Gil. Sandra Starling interveio, antes de ouvirmos a resposta do candidato, alegando que esse seria um assunto a ser ainda discutido. Assim, vamos ter que esperar a resposta. “Ele vai ter que descascar esse abacaxi”, comentou depois com Gazinelli o candidato a vice e um dos fundadores do PV mineiro, vereador Leonardo Mattos. É um grande abacaxi, como se pode ler no artigo que escrevi no Observatório da Imprensa em dezembro de 2008.

É possível que o filho do ministro José Aparecido de Oliveira não tenha dificuldade em explicar sua participação no desmanche de uma natureza rica em ferro e Mata Atlântica que a mineradora está a fazer, com aprovação do governo do Estado e da Prefeitura, na região de Conceição do Mato Dentro. Afinal, ele se declara um defensor do meio ambiente. Em seu “site” está escrito: “Quando adolescente Zé Fernando atuou intensamente em defesa do meio ambiente na região da Serra do Espinhaço. Participou da fundação do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (CODEMA) e, foi um dos criadores da ONG Sociedade dos Amigos do Tabuleiro, que liderou o movimento pela criação do Parque Municipal do Tabuleiro, hoje um Parque Estadual.”

Aos 35 anos, ele se lança candidato aparentemente lúcido, apesar de ter revelado, no café da manhã, que ouviu de um amigo: “Zé Fernando, as pessoas achavam que você era doido, agora têm certeza”. Todos riram, educadamente. O discurso dele, de fato, não teve nada de maluco. Quer que haja uma Política de Estado para o minério, para que as concessões não continuem sendo dadas de graça às multinacionais, as exportações prossigam livres de impostos e Minas Gerais continue recebendo royalties miseráveis em troca dos buracos deixados em suas montanhas pelas mineradoras. E não é pouco o que se tira daqui. Segundo o candidato, Minas responde por 15% do minério de ferro vendido no mundo. Alguém pode ter outros números…

Então, vamos aguardar. Não sou dos que pensam que as eleições para governador em Minas serão decididas entre o candidato do Aécio, Antônio Anastásia (PSDB), e o candidato contra o Aécio, Hélio Costa (PMDB). E nem que a presidência da República esteja reservada pelos céus a Dilma Rousseff, do PT, ou a José Serra, do PSDB. José Fernando e Marina Silva podem surpreender. E não será novidade na história do Estado e do País.

Marina Silva, que chamou José  Fernando de menino – e se apressou a justificar, dizendo que era como o via, com seus olhos de 52 anos de idade – repetiu no café da manhã tudo o que vem dizendo há algum tempo, e não vou repetir aqui. Ela ainda estava entusiasmada com a inauguração, na véspera, da primeira “Casa da Marina”, em Belo Horizonte, na casa de uma voluntária de sua campanha. E convidou: quem for funcionário público ou empresário e, por medo de represálias do governo, não puder fazer mais uma “Casa da Marina”, faça-a dentro do coração, pois lá “ninguém entra, ninguém vê”. Em outro momento do discurso, já falara de coração: “Há os que pensam que são donos dos corações dos eleitores, mas não são”.

Eu entendi: quem pensa assim é Lula, o Pai dos Pobres e a Mãe da Dilma. Sem nenhum desrespeito com a masculinidade presidencial. E ele não se preocupa com isso, pois se apressou a informar aos eleitores: “Meu nome é Dilma”.

(*) Jornalista

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Comentários:

8 comentários sobre “CAFÉ DA MANHÃ COM MARINA SILVA, José de Souza Castro (*)”

  1. sandra starling em 9 de julho de 2010 11:30

    Caro José de Castro,
    o café da manhã foi uma atividade inicial do comitê suprapartidário de apoio a Marina Silva e, como tal, local inadequado para a discussão proposta pelo Gazzinelli, em minha avaliação.Aproveito para dizer que vou chamar uma reunião de trabalho no dia 22 de julho. Depois aviso o local, em BH. Grande abraço.Sandra Starling

  2. Paulo Barbosa em 9 de julho de 2010 17:41

    Ué, quer dizer que a discussão proposta pelo Gazinelli tem de ser em hora e local decididos pelo partido? Isso não é fechar o debate?

  3. petronio nunes de araujo em 9 de julho de 2010 21:56

    ola MARINA SILVA gostaria de saber si a candidata nao gostaria de fazer em minha cidade a casa da MARINA aguardo a sua resp .obigado

  4. Cid Velloso em 10 de julho de 2010 11:45

    Prezado José de Castro:

    Creio que cabe ao José Fernando Aparecido responder à pergunta sobre assunto tão grave e suspeito, especialmente em época de eleição, pois corre muito dinheiro nessa questão de mineração. Ele devia ter respondido na reunião mesmo; como não o fez, deve ser exigido dele resposta em pronunciamento público, ao vivo ou pela imprensa.

    Cid Velloso

  5. José de Souza Castro em 10 de julho de 2010 18:52

    Caro professor Cid Velloso,

    Acho que a própria Sandra Starling está esperando que ele dê uma resposta à questão no momento e na forma apropriada. Errar é humano, e se ele errou, precisa reconhecer o erro, como frisou Gazzinelli na intervenção dele durante o café da manhã. E, ao reconhecer, passe a trabalhar em dobro na defesa do meio ambiente, como prega seu partido e, com mais ênfase talvez, a recém chegada Marina Silva. Talvez não: certamente, pois o PV mineiro era aliado do governo Aécio Neves e parte de sua bancada na Câmara e na Assembléia Legislativa está apoiando a candidatura de Antonio Anastasia. Mas, certamente, o candidato do PV precisa reconhecer que errou ao pedir - se o fez - contribuição à campanha para a Câmara dos Deputados, em 2006, ao dono da MMX. O fato é que, segundo levantamento da Transparência Brasil, no Projeto Excelências, Eike Batista doou cinquenta mil reais à campanha de José Fernando Aparecido de Oliveira. Admito até que o dinheiro não tenha influenciado na aprovação do projeto pela prefeitura, já que o prefeito na época era adversário político do deputado, mas ele é que tem que explicar isso, não eu (que, a exemplo do Gazzinelli, sou um simples perguntador). Grande abraço.

  6. Maria Inez Salgado de Souza em 11 de julho de 2010 15:04

    Creio ser muito oportuno o artigo acima pois ele toca num ponto nevrálgico: a articulação entre política e meio ambiente. Não é mais novidade para ninguém e até crianças pequenas aprendem nas escolas que o planeta está em risco. Ora, sabendo disso e tendo se esgotado as possibilidades de participação em projetos políticos mais audaciososs, muitos vêem no PV uma saída honrosa: “estou na luta por um Brasil melhor! Por um mundo melhor! Oxalá fosse. Pretendo apoiar Marina Silva, mas com cautela. Quem estará por trás dela? Quem são os “verdes” no Brasil? Apoiadores arrependidos de grupos financeiros? Ou então pessoas que se aproveitam da nova onda para tirar partido? Fiquemos atentos!

  7. MASSOTE EXPÕE FRAQUEZAS DOS CANDIDATOS EM ENTREVISTA À TV ASSEMBLEIA, José de Souza Castro (*) | Fernando Massote em 21 de julho de 2010 18:00

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