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O PROFESSOR DÉLCIO E SEU NOVO LIVRO
Leitura da Imprensa | 12 de março de 2011 | Envie para um amigo

Amigas e amigos
Sei que muitos não puderam ir ao lançamento do Quase memória de uma rua sem memória. Recebi vários e-mailse telefonemas de parentes, colegas, amigos, conhecidos e até de gente que não conheço, justificando a sua ausência. Inclusive todos indagam onde poderão adquirir o livro.
Por iniciativa do sr. Maurício, da Livraria Ouvidor – Savassi, os exemplares estarão em exposição e à venda naquele local.
Estou à disposição para atender pessoalmente o pedido, informando como proceder.
Vou conversar também com os responsáveis pelas Livrarias do Campus da UFMG, da Faculdade de Medicina e da Faculdade de Direito para fazerem o mesmo tipo de atendimento.
Para os que ainda não têm idéia do livro, tomo a liberdade de acrescentar a esta, alguns textos a respeito. Solicito a transmissão desta informação a quem possa interessar.
Com meus agradecimentos pela aceitação do Quase memória de uma rua sem memória, deixo a todos afetuoso abraço.
Em 22.03.2011
Délcio Vieira Salomon
QUASE MEMÓRIA DE UMA RUA SEM MEMÓRIA
Em continuação a O cavalo de São Roque, o escritor Délcio Vieira Salomon lança oQuase memória de uma rua sem memória em 21.03.2011 a partir das 19 horas, na Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, Praça da Liberdade, 21 – Belo Horizonte.
Conforme declara o autor, o gênero quase memória foi escolhido por situar-se entre a memória e a ficção. Sua intenção é colocar no papel lembranças que enfatizam a versão subjetiva dos fatos vivenciados, ora com alegria, ora com tristeza, quando não com temor de suas consequências. Assim debruça sobre sua infância e, sobretudo, sobre um passado de quinze anos vividos em seminário salesiano, enclausurado entre os muros de autêntica cidadela medieval, em pleno século XX. Sobre tais fatos sente necessidade de exercer sérias reflexões.
De propósito quis evitar a autobiografia (por não se sentir personagem importante para empreendimento de tamanho calibre) e o gênero memória, pois apenas usa dados de sua recordação e até levantados em pesquisa documental, sem se prender, porém, ao dever histórico de respeito à sua veracidade. Preocupa-se em não mentir, nem inventar, muito menos em extrapolar o acontecido, distorcendo-o.
Em síntese: procura amalgamar no mesmo texto a imaginação, a vivência e a reflexão.
Quando da edição do livro, o autor não podia imaginar a repercussão que o texto teria entre escritores e amigos que leram o original. Inclusive, o escritor Nelson Hoffmann de imediato se ofereceu para editar o livro na Editora da URI e fez questão de assim se pronunciar para a contracapa: “Esta é uma obra de valor extraordinário. Poucas vezes tenho lido obra de tamanha envergadura intelectual, religiosa, política e histórica. Tudo vazado em estilo simples e claro, limpo e extremamente preciso. Narrativa, depoimento, comentário, análise, é obra que se impõe por sua solidez e compactação monolítica. (…) Um livro que precisa ser lido, com urgência, e meditado, em profundidade”.
Importa lembrar que Délcio Vieira Salomon é belorizontino, viveu sua infância na Rua Diamantina do Bairro Lagoinha. Aos dez anos ingressou no Seminário Salesiano. Ali viveu quinze anos, até o terceiro ano de teologia, quando foi tachado de apóstata por um dos examinadores de Teologia Dogmática, por ter renegado a prova racional e filosófica da existência de Deus, através das cinco vias de São Tomás de Aquino.
Voltando para Belo Horizonte, dedicou-se ao magistério no Colégio Municipal, na Universidade Católica e finalmente na UFMG, onde, além de ter sido diretor da FAFICH (1978 – 1981), defendeu tese de livre-docência (1977), mais tarde convertida em A maravilhosa incerteza –ensaio de metodologia dialética sobre a problematização no processo do pensar, pesquisar e criar, publicado pela Editora Martins Fontes, desde 1999. De sua autoria constam: Como fazer uma monografia (13 edições) – Beira dos aflitos (sátira contra o governo FHC) – Na mesma tecla(poesia) – O cavalo de São Roque e inúmeros artigos e ensaios publicados, sobretudo, no Estado de Minas e na revista Caminhos da Associação dos Professores da UFMG – APUBH.
Como declara: “apesar de sua formação polivalente, considera que só se realizou profissionalmente como professor, tanto no ensino secundário como no universitário”.
Apresentação
*Wilson Salgado
Malgrado alguns impactos, não foi surpresa, para mim, esta nova obra de Délcio. Cultura, precisão nos termos e estilo descritivo de alto nível. Vejo a recriação de sua vida em três períodos. O período histórico de sua infância encenado sob luzes vivas de uma ribalta, onde suas memórias me fizeram submergir nas minhas e poderão se transmutar em cenas de vida de todos seus leitores. O segundo, uma vereda realista em que os sonhos se espelham, mercê de nossa convivência por dez anos e vinte e quatro horas por dia de nossas vidas. Nessas trilhas deixamos bem delineadas nossas pegadas, respiramos os mesmos ares e nelas criamos e estreitamos laços, que, de amizade, se transfiguraram em sentimentos eternamente fraternos. No terceiro período nossos caminhos se bifurcaram e, lendo as memórias desses tempos não consegui esgueirar-me das amarguras e agonias que o torturaram. Nesse caminho espinhoso é que Délcio mostra, com cristalina transparência, os ferimentos, que, embora curados, deixaram indeléveis cicatrizes que nos remetem ao velho brocardo de Publílio Ciro: “Etiam sanato vulnere cicatrix manet”.
Notam-se, no entanto, no entrelaçado de sua vida, felizes lembranças de dirigentes que ele estimou, de bons amigos que com ele conviveram e dos princípios de uma cultura, que, só Deus sabe, teria ou não outra oportunidade de adquirir. Por certo são signos de que muitas de suas certezas, colocadas em uma balança de precisão, se encarnariam em dúvidas.
Seu livro deve ser lido como um paradigma de nossa própria vida, onde todos trilhamos caminhos tranquilos e confortáveis mesclados com outros eivados de espinhos, pedras e inevitáveis tropeços.
Vale a pena ler. Para mim valeu… e muito!
* Membro da ARL – Academia Ribeirãopretana de Letras. Colega desde o primeiro ginasial até o final da Filosofia em Lorena, SP. Mais que amigo, irmão. E sempre incentivador.
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Grande companheiro,
aguardo-o no lançamento do livro. Você e a Carmen. Se houver mais algum amigo, convide-o em meu nome, s´il vous plait.
Forte abraço
Délcio