FASCISMO E FALSOS CONDOMÍNIOS: VAMOS DEIXAR ACONTECER?, Fernando Massote

Debate político, Política Nacional, falsos condomínios | 1 de novembro de 2011 | Envie para um amigo

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Recebí hoje alguns e-mails e telefonemas de pessoas considerando a questão dos posicionamentos do chamado SOS Nova Lima e perguntando o que eu penso a respeito. Relaciono acima alguns dos conteúdos que recebi. Não tenho certeza de que esta relação reassume o que as pessoas pensam e/ou dizem.  

Logo de cara há um erro constrangedor. O de considerar que a defesa do meio ambiente pela qual se propõem combater é novalimense, de novalimenses e para  novalimenses. Isso é só uma patriotada oportunista.  

Este posicionamento esdrúxulo foi facilmente derrubado pelo Wesley  ao considerar que o que  este movimento mais faz é defender os “condomínios horizontais” que além de não ter sustentação legal no país, está longe de ser o lugar onde mora a massa dos novalimenses.   

O SOS Nova Lima é um movimento oportunista da classe média que mora nas áreas fechadas… na marra, por ela mesma! Os próprios líderes desse movimento chamam essas áreas de uma coisa que não existe na legislação, “condomínios horizontais”!  É ali que mora, não sem conseqüências ideológicas e políticas, a totalidade dos chefes mais acesos desse movimento. Eles querem viver nessas áreas fechadas como num reino de fantasia, dentro e fora delas. Sonham que ali, fechados, com o povo distante e financiados pela bitributação dos moradores, viverão longe dos problemas da sociedade, em paz e harmonia eternas! 

Muitos deles se apóiam na “filosofia” de que se fecham nas áreas públicas, que não são deles, para manter a segurança. Ora, porque temos o problema da insegurança? Há já, sobre isto, um extenso e aprofundado  debate que indica o neo-liberalismo e o estado mínimo que ele cria, como a razão disso.  O que é o “estado mínimo”? Eles levam isto em consideração? Porque  defendem o “estado mínimo”?  Não é porque ganham muito dinheiro com isto?

 

 As elites e seus aliados da classe média não querem, evidentemente,  criticar este curso perverso da política do “estado minimo”: querem privatizar, “diminuir o estado” para ganhar mais, afastando o grosso da população das decisões, dos ganhos da economia e da participação nos bens que ela produz!

É o que fazem no caso dos falsos codomínios: “instituíram” as taxas internas aos “condomínios” e obrigam os moradores a pagá-las, sem que tenham contraído  dívida alguma.  É o segundo imposto exigido da  população para  aliviar os gastos do Estado com a sociedade.  Jogam, assim, todo o peso dos gastos sobre a grande maioria da população. Eles não confessam isso, evidentemente; eles fazem isso. 

Não cercaram as áreas públicas pelas vias legais, passando pelo devido curso dos debates e decisões  das assembléias  institucionalizadas.  Os chefes do SOS fazem isto manu militari, com meios ilegais como as cercas elétricas, as cancelas, guaritas, os vigilantes privados, etc.

Muitos deles acusam passivamente o Estado de não financiar a segurança da população pela corrupção, desvio de dinheiro público, etc. Ora, a corrupção que denunciam  é a episódica,  que se apresenta como  uma aparência que se dá à sombra da lei e da ação do Estado e da grande política das elites. É esta a maneira como as elites querem enganar o povo. Isto esconde a raiz mestra da corrupção que está na orientação da política do “estado mínimo”.

 Isto não é aceitar, de vários modos, a corrupção: deixando de denunciar o “estado mínimo”, combatendo a asfixia  das atividades sociais do Estado, não exigindo a correção dos cursos político-administrativos arbitrários, exigindo a punição dos criminosos,  etc? Os poderosos da burguesia e da classe média não denunciam a corrupção como democratas que querem defender a lei, alargando a participação no Estado e punindo o crime.  O que querem, na prática, é “negociar” com a corrupção deixando-a livre para fazer o que quiser, contando que eles também sejam deixados em paz, burlando a lei e permanecendo tranquilos em seus belos recintos fechados! E, de resto, que a sociedade vá para inferno!

Na prática eles se apoiam na corrupção para aceitar outra grande corrupção, que é a privatização do espaço público apresentada como a solução para o problema da segurança! Eles criam, então, os falsos condomínios que afrontam todas as leis do país, que existem para defender a liberdade e a igualdade contra a segregação social, a bitributação, a ocupação privada do espaço público, etc. Eles, de fato, não querem saber das leis que defendem a universalidade, a impessoalidade: o que eles querem é o contrário disso, ou seja, o reino das camarilhas.

 Este comportamento tem um nome; é o fascismo. Esta é, aliás, a razão maior pela qual devemos combatê-lo: eles querem o governo de minorias corruptas e violentas, esmagando a liberdade e excluindo o povo. Querem transformar  Nova Lima, Minas e o Brasil em um único falso condomínio. O povo vem combatendo tudo isto no correr dos séculos: combateu a Colônia, o Império, a Ditadura e todas as oligarquias.. “Loucamente”  eles querem fazer tudo voltar atrás e recuperar assim o que perderam! Nós vamos deixar?

 

(*) Este texto nasceu de estímulos circunstanciais e locais cujo sentido é desenvolvido no curso da reflexão mais abrangente. O leitor entenderá facilmente todo o seu curso, mesmo sem introdução, a partir da leitura do 4. parágrafo.

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Comentários:

1 comentário sobre “FASCISMO E FALSOS CONDOMÍNIOS: VAMOS DEIXAR ACONTECER?, Fernando Massote”

  1. Luís Eduardo Lemos em 3 de novembro de 2011 12:29

    Esse movimento tem como líderes, dirigentes de “condomínios” de Nova Lima, entre eles o Jardins de Petrópolis.

    A bandeira principal é a questão ambiental, mas dentre esses líderes há os que não conseguem cuidar do meio ambiente do próprio quintal, da própria casa, além dos que são amigos, defensores, lobistas e protetores de invasores de áreas verdes públicas de preservação ambiental. E o pior, eles ainda se acham com moral para tentar salvar o meio ambiente e o município das garras da especulação imobiliária.

    Questionamos: quem banca, quem custeia, quem sustenta as atividades e eventos (confecções de folders, faixas, gasolina dos veículos utilizados em carreatas e passeatas), enfim, tudo que é utilizado para divulgação e manutenção desse movimento? São seus líderes, do próprio bolso? E as Associações (condomínios) que tem como dirigentes, líderes desse movimento, também ajudam a bancar os custos e gastos? Caso ajudem, tem a aprovação dos associados?

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