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O BORDEL DA CASA BRANCA, Fernando Massote
Debate político, Direitos Humanos | 14 de fevereiro de 2012 | Envie para um amigo
A Casa Branca, residência do presidente dos Estados Unidos, é um bordel da elite, comandado pelo próprio presidente. Os jornais distribuíram para os quatro cantos do mundo a foto da sexagenária, hoje avó, que tinha, em l963, l9 anos. Ela escreveu um livro – “Era uma vez um segredo, meu caso com o presidente Kennedy” - para contar suas aventuras sexuais com o homem “mais poderoso do mundo”. Disse que conheceu Kennedy 4 dias depois que começou um trabalho de estagiaria na Casa Branca e que já no “dia seguinte perdeu a virgindade no leito do presidente”.
No ápice da crise dos mísseis de Cuba, o presidente mandou sua mulher e filhos para um lugar seguro mas não dispensou suas amantes. E quem dormia com elas não era só o presidente mas também auxiliares e familiares seus. Sua amante de l9 anos conta que o presidente a fazia deitar-se com o seus auxiliares e se deliciava presenciando o ato; que ele propôs que ela dormisse com seu irmão Ted Kennedy. Quer voyeurismo mais espetacular em benefício do “homem mais poderoso do mundo”, seus amigos e familiares?
Todos sabem do “namoro” sinistro de Kennedy com Marylin Monroe. A crônica, - inclusive policial - conclui o relato do caso afirmando que ela não sobreviveu fisicamente ao mesmo.
O “affaire” Clinton-Mônica Lewinski repete os casos de Kennedy, ainda que, graças aos tempos mais abertos daquele momento, as coisas aconteceram com muito mais difusão. Todos eles refletem da forma mais corriqueira, a prática privatizante da elite capitalista, no que respeita à vida econômica, social, cultural, política e sexual. A mulheres são um instrumento de poder que é usado e abusado ao deus dará.
Este é um elemento tão verdadeiro e arraigado que se dá com o consentimento e o incentivo das mulheres que foram protagonistas dos fatos. Não é esta, a razão da quase nula reação - no plano cultural e político – da notícia do caso Kennedy?
Quem pode, portanto, se espantar, diante desse assédio sexual tão escancarado, com a cultura e prática violentas que atingem cotidianamente milhões de mulheres, no mundo inteiro?
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Tenho por mim, professor, que a quase nula reação da notícia tem várias causas. Entre elas, o desejo dos poderosos e seus áulicos na imprensa de não reforçar a definição de Alain Badiou de que o processo político atual “é a guerra das democracias contra os pobres”. Pois não são os Estados Unidos os campeões da democracia - e a Casa Branca o seu signo?