O MORRO DO ELEFANTE É NOSSO (2), Fernando Massote

Crônicas, Política Nacional | 18 de fevereiro de 2012 | Envie para um amigo

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Os já famosos “falsos condomínios” que proliferam país afora, são um novo câncer na sociedade brasileira. Há dias distribuíamos um adesivo contra o anclausuramento do célebre Morro do Elefante, em Nova Lima, entre os passantes, no supermercado Ponto Verde, quando encontramos um casal que nos perguntou o que era aquela figura. Tratava-se de uma ótima charge do nosso amigo Paulo Barbosa, hoje um notável artista nacional. O desenho representava o Morro cercado de moradores de Nova Lima que protestavam contra a cerca elétrica que bloqueava, às margens da rodovia 030, a passagem dos visitantes. Tinha ali todos os tipos de figuras do povo: homens e mulheres de idades variadas, jovens, crianças e um cachorrinho ao lado de um jovem com a ponta do boné virado’. para o lado e “postado” em sua bicicleta com cara de quem “daqui não saio e ninguém me tira.” O protesto, na realidade, tornava-se ainda mais vivo pela selvageria da cerca elétrica, acusada de matar animais.
O marido era uma figura amena que conversava com serenidade. A mulher, no entanto, que cuja figura lembrava o famoso reproche do poeta Vinicius de Morais… não se continha: — o que é isso?“ Foi logo dizendo sem responder ao nosso “boa tarde”. –“Não, não! Não, assim não, eu moro no Vale do Sol e aquele morro é nosso!” Nós lhe respondemos que não discutiríamos a questão da propriedade jurídica do morro naquele momento mas que como estava a “charge”, o morro era uma figura histórica da comunidade que se acostumara, nos decênios, a visitá-lo em caminhadas sobretudo domingueiras, verdadeiras romarias, de jovens, mulheres e velhos. Que aquela cerca era um desrespeito, uma violência à comunidade, à cultura do lazer pacífico das pessoas.
A mulher não sabia nem queria escutar. Era de uma estridência única e não deixava ninguém falar. A nossa simples presença era, para ela, razão de exaltação. Disse que era advogada; que sabia que o morro era “nosso”, ou seja, dela
Procuramos também fazer-la entender, de forma algo irônica, que não queríamos forçosamente o seu apoio, que não só entendíamos a sua oposição mas que, também, não nos opúnhamos à sua contrariedade que ajudava a chamar a atenção dos passantes a nossa campanha…
Passou uma moradora que era professora, acercou-se, olhou a “charge”, escutou a conversa e decidiu se pronunciar. Disse logo que também que era moradora do “vale do Sol” e concordou que a cerca impedindo as visitas ao Morro era ‘uma coisa errada”, que concordava conosco, que o morro e a comunidade tinham construído laços afetivos já históricos; que o chamado “Vale do Sol” tinha uma idade que se contava entre os dedos de uma mão e que não tinha direito de cancelar a centenária amizade do povo de Nova Lima com o Morro.
A “advogada” sempre mais agitada, chamava negativamente sempre mais a atenção para o casal, o que passou a incomodar o marido que, educamente, pedindo desculpas e levando consigo uma das nossas “charges”, tratou de afastá-la, levando-a para fora do local.
O “molhinho” de gente que nos circundava e apoiava foi crescendo tanto que fomos levados a convidar a todos para nos reunirmos fora da Drogaria Araújo onde nos encontramos. Os funcionários só não nos haviam já convidado a deixarmos o local porque de alguma forma participavam daquela manifestação da vivaz. O gerente, no entanto, ainda que com alguma benevolência, já nos olhava de longe meio inviezado. Querendo ou não o coitado acabava por ficar muito mal colocado: entre os interesses do patrão e nós, ainda que com tão visível apôio da comunidade.
Foi assim que antes que o gerente tivesse que se pronunciar, fizemos-lhe um gesto de simpatia e convidamos os nossos amigos a nos afastar até à porta para continuar a conversa.
As pessoas passam e paravam para se informar do que se passava. Um dos episódios mais notáveis daquele encontro tão espontâneo foi o de uma meia senhora muito simpática, que vendo a imagem do Morro do Elefante, começou a catarilhar uma graciosa canção que tinha justamente o Morra por tema. Ela passou logo a chamar a atenção de todos que conheciam ou não a canção.
O nome dela é Edna Figueiredo Lirio, que é musicista e nos disse que a canção era de autoria de um musicista que morava Honório Bicalho, um tradicional e importante bairro de Nova Lima. Seu nome é Homero. Já falamos com ele que logo simpatizou com o nosso movimento e está já para nos entregar uma cópia da sua canção que todos conhecerão brevemente pelo nosso BLOG.

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