<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	>

<channel>
	<title>Fernando Massote</title>
	<atom:link href="http://massote.pro.br/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://massote.pro.br</link>
	<description>Bem-vindo ao site do professor Massote!</description>
	<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 13:17:23 +0000</pubDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.7.1</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<item>
		<title>AS RAÍZES NEOLIBERAIS DAS PLANTAÇÕES TRANSGÊNICAS, Alejandro Nadal (*)</title>
		<link>http://massote.pro.br/2010/03/as-raizes-neoliberais-das-plantacoes-transgenicas-alejandro-nadal/</link>
		<comments>http://massote.pro.br/2010/03/as-raizes-neoliberais-das-plantacoes-transgenicas-alejandro-nadal/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 13:14:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Massote</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Política Internacional]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://massote.pro.br/?p=3611</guid>
		<description><![CDATA[É preciso perguntar se os inventos mecânicos agilizaram o trabalho humano, indagava John Stuart Mill em seus Princípios de economia política. Marx responde: esse não era seu objetivo. As máquinas, como qualquer invento capitalista, são um método particular para incrementar a taxa de ganância.
Os cultivos transgênicos são um instrumento do capital para transformar um processo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: black;"><span style="font-family: Times New Roman;">É preciso perguntar se os inventos mecânicos agilizaram o trabalho humano, indagava John Stuart Mill em seus <em>Princípios</em><em> de economia política</em>. Marx responde: esse não era seu objetivo. As máquinas, como qualquer invento capitalista, são um método particular para incrementar a taxa de ganância.</span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: black;"><span style="font-family: Times New Roman;">Os cultivos transgênicos são um instrumento do capital para transformar um processo de produção. Seu objetivo não é combater a fome, nem terminar com a pobreza. Têm outra finalidade: impor a racionalidade do capital e transformar o campo em espaço de rentabilidade. São o último elo de uma longa cadeia de esforços para dominar um âmbito que a isso tem resistido tenazmente.</span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: black;"><span style="font-family: Times New Roman;">Na agricultura, o capital simplesmente não pode se apropriar do processo produtivo para moldá-lo às suas necessidades. É que no campo o capitalismo não pode submeter o clima ou sujeitar a visita inoportuna de pragas e outras calamidades. Não controla nem o tempo de produção, nem a porosidade do processo de valorização do capital. Tampouco controla os humores, tempos e tradições dos camponeses. E isso sim é doloroso: não controlar o trabalhador.</span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: black;"><span style="font-family: Times New Roman;">Certo, a agricultura foi subjugada de fora, impondo-lhe termos de intercâmbio desfavoráveis (preços baixos ao produtor, custo elevado de insumos). Em escala macroeconômica, a agricultura foi convertida em fonte inacabável de mão-de-obra e alimentos baratos para manter uma norma salarial adequada à acumulação capitalista.</span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: black;"><span style="font-family: Times New Roman;">Mas o campo não é uma fábrica e o processo <em>direto</em> de produção não é de fácil de intervenção. O capital quis controlá-lo pela mecanização, a difusão de insumos agro-químicos e sementes modificadas para aumentar rendimentos (toneladas por hectare). Por certo, entre 1950-1970, os fitomelhoradores conseguiram incrementos mas com custos sociais e ambientais consideráveis. O mais importante é que do ponto de vista do capital, o controle do processo de produção no campo sempre foi incompleto.</span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: black;"><span style="font-family: Times New Roman;">Não importa que algum mentecapto ou um funcionário prevaricador afirme que os cultivos transgênicos são a resposta à fome, porque na verdade não estão desenhados para aumentar os rendimentos de maneira significativa. Por exemplo, muitos estudos concluem que os rendimentos dos cultivos transgênicos permaneceram estáveis ou foram inferiores aos de cultivos tradicionais. Outros indicam que em alguns casos podem aumentar, mas se trata de incrementos marginais, nada comparáveis aos aumentos en rendimentos que produziu a revolução verde.</span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: black;"><span style="font-family: Times New Roman;">Para que um cultivo transgênico permita aumentos nos rendimentos comparáveis aos da revolução verde seria preciso modificar a <em>arquitetura</em> de uma planta. Para conseguir esse resultado teria que manipular uma maior quantidade de genes. Essa proeza exigiria uma capacidade tecnológica que hoje não está disponível e provavelmente nunca estará. Se a biotecnologia pudesse manejar o mesmo número de genes que de patentes controladas pelos advogados das empresas trasnacionais, as coisas seriam diferentes. Foi dito que os biotecnólogos querem brincar de Deus. Seria mais correto dizer que só brincam de aprendiz de feiticeiro com umas quantas peças extraviadas de um lego que não conhecem.</span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: black;"><span style="font-family: Times New Roman;">Se os cultivos transgênicos são o melhor exemplo de uma trajetória tecnológica falida, por que se interessa por eles o capital para acometer com novos brios esta luta para dominar o campo? Porque as empresas trasnacionais no recuperaram os investimentos que fizeram em sua aposta com esta tecnologia fracassada e hoje a crise aperta-os de todos os lados.</span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: black;"><span style="font-family: Times New Roman;">Em Guadalajara, o diretor da FAO mente. Diz que a meta de reduzir a fome em 50% se poderia cumprir a aplicação da biotecnologia. Nada mais distante da verdade. Cabe lembrar que os aumentos nos rendimentos dos anos sessenta ainda não puderam acabar com a fome: por que será?</span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: black;"><span style="font-family: Times New Roman;">Sua retórica ensina em que grau envelheceu a FAO frente às trasnacionais da biotecnologia. A fome no mundo é produto de um modelo econômico cimentado na exploração e na concentração de riqueza. A desnutrição é fruto de um sistema excludente que impõe a monocultura comercial e a submissão ao poder de umas poucas corporações gigantes. Por si não se inteiraram de que a crise global é produto do sistema neoliberal que fez tudo isto possível. Em lugar de propor reformas, o diretor da FAO (e seus comparsas no governo mexicano) recomenda tudo aquilo que signifique continuar com o modelo neoliberal. É claro: a besta neoliberal está ferida, mas isso não a faz inofensiva.</span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: black;"><span style="font-family: Times New Roman;">Nos cultivos transgênicos, temos o melhor exemplo de uma forma de ciência que é poderosa na medida em que é ignorante. A ciência como dominação sacrifica a ciência como conhecimento, escrevia Paul Valéry em suas <em>Histórias</em><em> quebradas. </em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Publicado em La Jornada</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Times New Roman;">(*) <span style="font-size: x-small;">E<span style="color: black;">conomista e professor pesquisador do Centro de Estudos Econômicos do <em style="mso-bidi-font-style: normal;">Colegio de México<span style="mso-bidi-font-style: italic;">.</span></em><span style="mso-bidi-font-style: italic;"> </span></span></span></span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://massote.pro.br/2010/03/as-raizes-neoliberais-das-plantacoes-transgenicas-alejandro-nadal/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>ESTADO DE MINAS: DEMISSÃO POR INJUSTA CAUSA, Emmanuel Pinheiro</title>
		<link>http://massote.pro.br/2010/03/estado-de-minas-demissao-por-injusta-causa-emmanuel-pinheiro/</link>
		<comments>http://massote.pro.br/2010/03/estado-de-minas-demissao-por-injusta-causa-emmanuel-pinheiro/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 08 Mar 2010 01:45:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Massote</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Censura à Imprensa Mineira]]></category>

		<category><![CDATA[Minas Gerais]]></category>

		<category><![CDATA[Política Nacional]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://massote.pro.br/?p=3607</guid>
		<description><![CDATA[Sou fotojornalista, tenho 36 anos, 12 deles passados no aprendizado diário das redações. São 12 anos de muito trabalho, de conquistas e de frustrações inerentes a qualquer trabalhador. Comecei a trabalhar no Estado de Minas em maio de 2003 e permaneci até o dia 08 de fevereiro de 2010, quando recebi sem nenhum aviso anterior [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Sou fotojornalista, tenho 36 anos, 12 deles passados no aprendizado diário das redações. São 12 anos de muito trabalho, de conquistas e de frustrações inerentes a qualquer trabalhador. Comecei a trabalhar no <em>Estado de Minas</em> em maio de 2003 e permaneci até o dia 08 de fevereiro de 2010, quando recebi sem nenhum aviso anterior minha carta de <em>demissão por justa causa</em>. Motivo: <em>improbidade</em>.</span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Não recebi sequer uma explicação convincente do que teria feito. Somente umas poucas palavras de meu editor de fotografia que, educadamente, me disse: &#8220;Releia seu blog&#8221;. Só. Do editor de fotografia, fui até a sala do editor-chefe que, também educadamente, me disse que eu poderia ter dirigido as críticas a ele, em sua sala, mas não postá-las na internet, o que me deu a justa causa.</span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">O fato é que não critiquei ninguém, não cito nomes ou faço juízo de alguma pessoa em meu humilde blog. Apenas critico posturas, falo sobre minhas frustrações, sobre fotografia e sobre a mídia em geral. Agradeci aos dois pela oportunidade que me foi dada de aprender algo na minha experiência como profissional e fui embora. Sem dinheiro algum, mas com dignidade. Claro que saí ferido, sem chão, mas acredito em algo maior, em pessoas que têm compromisso e que sabem quem eu sou, o que fiz, e o que posso ainda, fazer, tendo opinião e senso crítico.</span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman;"><strong><span style="font-size: 14pt;">Alerta máximo</span></strong><span style="font-size: 14pt;"></span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Fui alvejado num paredão de fuzilamento moral por ter um blog (que, sinceramente, não é lido por mais que três pessoas) e por nele postar observações minhas a respeito do jornalismo, da postura dos jornais, dos acertos e dos erros inerentes ao homem. Critiquei algumas posturas, elogiei outras e fui carimbado como gado com a justa causa, marca que ficará por um tempo pairando na minha cabeça.</span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Me admira o retrocesso e a arrogância de um jornal que demite um funcionário desta forma pelo fato de pensar. O que se devia esperar de um jornal era a liberdade de expressão, e não o cerceamento de pensamento. Deixei tudo lá, mas saí com minha consciência tranquila.</span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Vou recomeçar do zero minha jornada e não vou me calar. Espero que a liberdade não dê lugar à censura. Espero que este erro abominável seja reparado e que eu possa, antes de tudo, ser uma pessoa que pensa e que respira. Vou recorrer a tudo o que for possível para ter os meus direitos de volta. Não falo de dinheiro, mas sim, de moral, ética, independência e humilhação. Se censuram um blog hoje, o que farão amanhã?</span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">A única coisa que me lembro dos anos de ditadura foi quando morava em Brasília, nos idos de 1979, e tinha que colocar o nome do general Figueiredo em todas as minhas provas no colégio. No mais não me recordo desse período nefasto. Mas, como num flash, me recordei desses tempos. Espero acordar deste pesadelo e seguir em frente com a cabeça erguida diante dos acontecimentos tão mórbidos e injustos pelos quais estou passando.</span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Espero que meu calvário sirva de alerta máximo a todos, pois fatos como esse não podem acontecer em pleno Estado Democrático de Direito.</span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman;"><strong><span style="font-size: 14pt;">Sindicato repudia demissão no <em>Estado de Minas</em></span></strong><span style="font-size: 14pt;">, <strong>Aloísio Morais (*)</strong></span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJPMG) vem repudiar e manifestar sua estranheza quanto à demissão do jornalista Emmanue l Pinheiro, que exercia a função de repórter-fotográfico no jornal <em>Estado de Minas</em>.</span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Pinheiro foi demitido por justa causa sob alegação de falta grave por &#8220;ato de improbidade&#8221;. Segundo ele, a empresa promoveu sua exclusão pelo fato de manifestar opinião em seu blog particular (</span><a href="http://www.pinheironafoto.blogspot.com/" target="_blank"><span style="font-family: Times New Roman;">www.pinheironafoto.blogspot.com</span></a><span style="font-family: Times New Roman;">) ao fazer comentários e análises comparativas sobre a edição fotográfica de vários veículos de comunicação impressa.</span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Entendemos que a atitude adotada pela direção do jornal caracteriza desrespeito à liberdade de expressão, já que o jornalista teve ferido seu direito à livre manifestação de expressão e opinião em espaço próprio – direito também defendido com bastante ênfase pelas entidades representativas do setor patronal de imprensa no país.</span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">O SJPMG manifesta sua solidariedade a Emmanuel Pinheiro e, desde já, coloca à sua disposição o seu Departamento Jurídico para que sejam preservados e reparados os seus direitos.</span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">O presidente da entidade , Aloísio Morais, tentou contato com o diretor de redação do <em>Estado de Minas</em>, Josemar Jimenez, para ouvi-lo a respeito, mas não obteve retorno. Ao atender o celular às 15h14 minutos desta quarta-feira, 10/02, Josemar disse que se encontrava em reunião e ficou de ligar dentro de &#8220;dois minutos&#8221;, o que não ocorreu até a redação do texto final desta nota. [Belo Horizonte, 10 de fevereiro de 2010]</span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: small; font-family: Times New Roman;">(*) Presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de MG </span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Fonte: Observatório da Imprensa</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Times New Roman;"> </span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://massote.pro.br/2010/03/estado-de-minas-demissao-por-injusta-causa-emmanuel-pinheiro/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>LULA E OS INTELECTUAIS, Carlos Alberto de Barros Santos (*)</title>
		<link>http://massote.pro.br/2010/03/lula-e-os-intelectuais-carlos-alberto-de-barros-santos/</link>
		<comments>http://massote.pro.br/2010/03/lula-e-os-intelectuais-carlos-alberto-de-barros-santos/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 08 Mar 2010 01:39:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Massote</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://massote.pro.br/?p=3604</guid>
		<description><![CDATA[Não compreendo e me causa espécie o companheiro Lula e seu governo receberem o beneplácito de boa parte da intelectualidade brasileira, com destaque para o eminente e esnobe grupo paulista, a cuja frente se encontra aquele que certamente representa o pensamento, ou melhor, a súmula do pensamento brasileiro naquilo que ele tem de mais grandioso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Não compreendo e me causa espécie o companheiro Lula e seu governo receberem o beneplácito de boa parte da intelectualidade brasileira, com destaque para o eminente e esnobe grupo paulista, a cuja frente se encontra aquele que certamente representa o pensamento, ou melhor, a súmula do pensamento brasileiro naquilo que ele tem de mais grandioso - Antonio Cândido. Pois é, o Antonio Candido, glória das letras brasileira é petista e, mais ainda, fundador do PT. O FHC, antigo guru do Lula, também é. E outros, muitos outros.<span style="mso-spacerun: yes;">  </span><span style="mso-tab-count: 1;">     </span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Pois bem. Antonio Cândido e muita gente liderada por ele aclamou Lula como um novo horizonte que surgia no universo brasileiro. Ora, vamos e venhamos. Antes de se eleger, Lula representava realmente uma esperança na transformação deste País através de conceitos divorciados do conservadorismo do atraso da política exercida até o momento, Seria uma revolução pelas urnas. Era violento, grosseiro e apedeuta, mas, e daí? O seu carisma (carisma para oligofrênicos) balançaria as massas e os teóricos fariam o resto. Tudo planejado. Só que o homem ,que de burro nada tinha, começou a perceber que o povo gostava das asneiras que ele proclamava diariamente e começou a ensaiar vôo próprio. Percebeu também que ele era o único inatacável, pois seus asseclas, todos, (ele não) estavam atolados em ilícitos penais por desvio de dinheiro público. Todos, menos ele. Como é possível, por exemplo, numa comunidade de drogados, existir um, só um, abstêmio? É um conto da carochinha. Mas, tudo bem. O homem é incrível, está acima de tudo, de nada sabe, nada viu. O povo, boi de presépio, aceita sem restrições a sua conversa e lhe confere aprovação inédita na história da república. Ora, o grande presidente Vargas ( que constrangimento citá-lo ao lado desse camarada) formou o seu populismo visando aos <span style="mso-spacerun: yes;"> </span>trabalhadores. O companheiro joga mais fundo, pois atinge a uma camada de desassistidos e miseráveis que jamais o abandonarão, como também jamais abandonarão o analfabetismo deles e de seus filhos, condição que o programa não está interessado em reverter. Aliás, essa é mais uma estratégia que o lulismo se aproveitou do governo anterior. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Mas como explicar a adesão dos intelectuais a isso tudo? Eu não entendo. Talvez, entre alguns, <span style="mso-spacerun: yes;"> </span>ainda persista aquele velho sentimento stalinista ( sim, há stalinistas, e muitos) ou da antiga União Soviética. A paixão é tamanha que acaba por transfigurar-se em fanatismo religioso. É incrível, mas podem crer, tem muita gente neste País que ainda fala e crê no paspalhão do Plínio Salgado. Tem cabimento? <span style="mso-spacerun: yes;"> </span>O intelectual, conheço muitos, padece de vaguidade, ou seja, apraz-se de falar vagamente sobre qualquer assunto. E é pouco chegado ao pragmatismo.<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>Talvez por isso mesmo imagina a figura do companheiro como uma promessa, num sentido vago envolto em ideologia, coisa que ele, companheiro,está longe de saber o significado.Conversa de intelectuais é o que o mineiro chama de “angu-de-caroço”: é enrolada e não chega a lugar algum. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">A União Soviética esboroou-se, o psicopata genocida do Stalin morreu, o muro de Berlim caiu.. O mundo é outro, sem ideologias definidas. Esquerda e direita são <span style="mso-spacerun: yes;"> </span>expressões anacrônicas.<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>E socialismo e capitalismo andam se entrelaçando. O mundo mudou, o Brasil mudou e o companheiro Lula é a expressão de um idiota útil, embriagado pelas homenagens que lhe prestam, com as quais tem a ilusão de achar que ele é mesmo bom de bola. E ainda tem esse Marco Aurélio Garcia, comunista histórico, buzinando-lhe nos ouvidos declarações inconvenientes e perigosas no plano internacional.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Não existe lulismo, porque o Lula não existe no mundo das idéias políticas. É um fenômeno passageiro num país de grandes analfabetos e poucos intelectuais sonhadores. Vai durar, sim. E o pior é que quando acabar será substituído por um anti-Lula, diferente de estilo, mas que pouco diferirá dele. Ou alguém acha que os políticos mudam realmente o rumo das coisas neste ou em qualquer outro país? Neste sentido, vale transcrever uma frase de Marx (historiador) logo na primeira página de “Os 18 Brumário de Luiz Bonaparte”: “Não é a consciência dos homens que determina a realidade, mas, antes, é a realidade que determina a consciência dos homens.”</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Mas aí retornamos a uma velha conversa&#8230;</span></span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://massote.pro.br/2010/03/lula-e-os-intelectuais-carlos-alberto-de-barros-santos/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>PRELEÇÕES DE UM PÁROCO DE ALDEIA, Paulo Barbosa (*)</title>
		<link>http://massote.pro.br/2010/03/prelecoes-de-um-paroco-de-aldeia-paulo-barbosa/</link>
		<comments>http://massote.pro.br/2010/03/prelecoes-de-um-paroco-de-aldeia-paulo-barbosa/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 05 Mar 2010 15:56:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Massote</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Política Nacional]]></category>

		<category><![CDATA[Ditadura militar]]></category>

		<category><![CDATA[estados laicos]]></category>

		<category><![CDATA[estados modernos]]></category>

		<category><![CDATA[golpe]]></category>

		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>

		<category><![CDATA[marcha da família com deus]]></category>

		<category><![CDATA[marcha da família com deus pela pátria]]></category>

		<category><![CDATA[Plano Nacional dos Direitos Humanos]]></category>

		<category><![CDATA[pndh-3]]></category>

		<category><![CDATA[proibição do crucifixo nas repartições públicas]]></category>

		<category><![CDATA[questão do aborto]]></category>

		<category><![CDATA[questão dos homossexuais]]></category>

		<category><![CDATA[regime militar brasileiro]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://massote.pro.br/?p=3581</guid>
		<description><![CDATA[Quando se pensava que o fundamentalismo cristão no mundo ocidental havia saído de cena com o fim do famigerado governo Bush, o extremismo religioso volta a aparecer, desta vez, com tintas de exótica brasilidade. Circularam pela internet, recentemente, as imagens de um padre em preleção colérica contra tópicos do 3º Plano Nacional dos Direitos Humanos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Quando se pensava que o fundamentalismo cristão no mundo ocidental havia saído de cena com o fim do famigerado governo Bush, o extremismo religioso volta a aparecer, desta vez, com tintas de exótica brasilidade. Circularam pela internet, recentemente, as imagens de um padre em preleção colérica contra tópicos do 3º Plano Nacional dos Direitos Humanos (PNDH-3), ora posto em discussão pelo governo Lula. Desconheço a íntegra desse extenso documento, pelo qual não pretendo enveredar aqui. Mas se as questões apontadas no sermão do padre como “gravíssimas” continuarem presentes ao texto final do PNDH-3, seus desdobramentos poderão trazer um enorme benefício à democracia brasileira. Embora visto pelo padre Paulo Ricardo de Azevedo Junior como blasfêmia, o banimento dos crucifixos das repartições públicas, por exemplo, é medida merecedora de efusivos aplausos. Nos Estados (pós)modernos ocidentais, não há princípio legal capaz de ainda sustentar a presença daquele judicioso madeiro em espaços públicos. A autonomia dos Estados modernos, ensina o pensador Alain Touraine, é fruto de longa transição, conhecida como secularização, durante a qual estes deixaram a sua antiga e nefasta associação com a Igreja para passar a funcionar como entidades laicas. Em tese, um tal processo tem como corolário a transposição do laicismo a todas as instâncias públicas, agora não mais atreladas à religião</span><span style="font-family: Times New Roman;">.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Outro tema surrado, abordado pelo padre Paulo Ricardo com tintas de ficção (barata) de terror, é o do aborto. Seria cansativo enumerar aqui os malefícios da manutenção do aborto como atividade ilegal e não assistida pelo Estado, no Brasil e alhures. Basta dizer que o discurso do padre é refratário a qualquer debate em torno da assistência às mulheres pobres, principais vítimas de semelhante proibição. Transforma, além disso, o que teria sido a grande batalha da mulher no século vinte – a luta pela autodeterminação de seu próprio corpo – em pecado punível com a fogueira da santa inquisição. No sermão, o padre impreca ainda contra o homossexualismo, numa virulenta condenação à união civil entre pessoas do mesmo sexo, discussão prevista no PNDH-3 também a dispensar comentários mais alongados, dada a admissão, nos foros jurídicos de países menos atrasados, de que indivíduos homoafetivos podem constituir união civil, com todos os direitos advindos desse tipo de associação. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Dentre as bandeiras levantadas pelo padre, assusta mais a síntese final, onde revela melhor o que parece estar por trás de todo o seu palavrório moralista. Nas últimas linhas da homilia, o padre formula a intenção de lutar vigorosamente contra um propositalmente mal-definido “isso que aí está”, convocando a uma marcha dos católicos contra a “raça de malfeitores que nos governa”. Trata-se da melhor e mais bem acabada retórica fascista, hábil em construir uma imagem perfeitamente negativa de algo para incitar o “povo” a se bater contra uma entidade indefinida, da ordem do satânico e do malévolo. Exatamente aqui, entretanto, o discurso do padre se transforma em peça de museu, parecendo-se muito a outra convocação, feita, tempos atrás, no contexto inaugural da ditadura militar, por figurinhas conhecidas e carimbadas no seio da Igreja católica. Saudosista da ditadura, portanto, o padre revela um fascismo de aldeia, vagabundo, datado de cinqüenta anos, visando a repetir a história como farsa. Caricatural, seu apelo em nada colabora, como se sabe, para a construção de uma sociedade que preze valores como a liberdade e a democracia, prestando-se unicamente a ocupar lugar de destaque no museu das idéias políticas pífias e recicladas.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: small; font-family: Times New Roman;">(*) Mestre e doutorando em cinema</span></p>
<div id="ftn1" style="mso-element: footnote;">
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><a style="mso-footnote-id: ftn1;" name="_ftn1" href="http://massote.pro.br/wp-admin/#_ftnref1"><span class="MsoFootnoteReference"><span style="mso-special-character: footnote;"><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA;">[1]</span></span></span></span></a><span style="font-size: small; font-family: Times New Roman;"> Um bom exemplo nessa direção foi a medida, recente de alguns anos, segundo a qual o governo francês proibiu, nas escolas públicas, o uso do véu no rosto de meninas muçulmanas. Embutido naquele costume vil e secular, esconde-se um histórico de submissão e subjugação da mulher, antípoda das conquistas advindas com a revolução feminina. </span></p>
<p class="MsoFootnoteText" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: x-small; font-family: Times New Roman;"> </span></p>
</div>
<hr size="1" />
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://massote.pro.br/2010/03/prelecoes-de-um-paroco-de-aldeia-paulo-barbosa/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>A MAIOR OBRA DE AÉCIO NEVES, José de Souza Castro (*)</title>
		<link>http://massote.pro.br/2010/03/amaiorobradeaecioneves/</link>
		<comments>http://massote.pro.br/2010/03/amaiorobradeaecioneves/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 05 Mar 2010 00:16:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Massote</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Censura à Imprensa Mineira]]></category>

		<category><![CDATA[Minas Gerais]]></category>

		<category><![CDATA[Política Nacional]]></category>

		<category><![CDATA[Aécio Neves]]></category>

		<category><![CDATA[Brasil]]></category>

		<category><![CDATA[Centro Administrativo de Minas Gerais]]></category>

		<category><![CDATA[eleições 2010]]></category>

		<category><![CDATA[Governo Aécio]]></category>

		<category><![CDATA[Obras faraônicas]]></category>

		<category><![CDATA[Sucessão presidencial]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://massote.pro.br/?p=3568</guid>
		<description><![CDATA[Chegou o dia. Nosso mais caro “elefante branco”, também conhecido como Cidade Administrativa de Minas Gerais, foi inaugurado neste 4 de março, dia em que se comemora o centenário de nascimento de Tancredo Neves, avô de nosso governador. É uma obra grandiosa que teria custado aos mineiros entre R$ 1,20 bilhão e R$ 1,69 bilhão, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span class="apple-style-span"><span style="font-size: 14pt; color: black; mso-bidi-font-weight: bold;"><span style="font-family: Times New Roman;">Chegou o dia. Nosso mais caro “elefante branco”, também conhecido como Cidade Administrativa de Minas Gerais, foi inaugurado neste 4 de março, dia em que se comemora o centenário de nascimento de Tancredo Neves, avô de nosso governador. É uma obra grandiosa que teria custado aos mineiros entre R$ 1,20 bilhão e R$ 1,69 bilhão, conforme nos informam hoje os jornais <em style="mso-bidi-font-style: normal;">O Tempo</em> e <em style="mso-bidi-font-style: normal;">Folha de S. Paulo</em>, respectivamente. Mas nem todos se dão conta de que não é nem o mais importante e nem o mais caro projeto do atual governo estadual.<span style="mso-spacerun: yes;">  </span><span style="mso-spacerun: yes;"> </span></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span class="apple-style-span"><span style="font-size: 14pt; color: black; mso-bidi-font-weight: bold;"><span style="font-family: Times New Roman;">Falaremos sobre isso à frente. Por enquanto, vamos nos ater à diferença significativa do valor da obra, de quase R$ 500 milhões, informado pelos dois jornais. Essa diferença é significativa. R$ 550 milhões é quanto o governo Aécio Neves pretendia gastar, inicialmente, no projeto, quando ele foi anunciado em maio de 2004. Chamado então, mais modestamente, de Centro Administrativo, ele seria construído no antigo Aeroporto Carlos Prates, numa área de 600 mil metros quadrados, metade da qual seria ocupada com as construções projetadas pelo escritório de Oscar Niemeyer. Faria parte do recém-lançado Programa de Parceria Público-Privada (PPP). As empresas que decidissem investir na construção da obra teriam um reembolso garantido: o aluguel pago pelo governo de Minas, por no mínimo 30 anos, aos corajosos investidores privados.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span class="apple-style-span"><span style="font-size: 14pt; color: black; mso-bidi-font-weight: bold;"><span style="font-family: Times New Roman;">Esse plano fracassou, mas a obra devia ser feita para marcar o governo Aécio Neves e ajudar a elegê-lo presidente da República – um projeto não apenas do governador, mas da “elite” mineira. Foi convocada então a Codemig (Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais) para custear o projeto. A Codemig conta, entre suas principais fontes de renda, com os <em style="mso-bidi-font-style: normal;">royalties</em> pagos pela Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, do Grupo Moreira Salles, para a exploração das reservas de nióbio de Araxá. </span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span class="apple-style-span"><span style="font-size: 14pt; color: black; mso-bidi-font-weight: bold;"><span style="font-family: Times New Roman;">Em vez da PPP, um investimento estatal. Em vez do Carlos Prates, um bairro populoso próximo do centro da capital, uma área maior, de 840 mil metros quadrados, a 20 km de distância do centro, um local bem isolado do burburinho urbano e de possíveis reivindicações populares. E pelo dobro do preço inicialmente previsto para o projeto. (Ou pelo triplo, como se descobre hoje.)</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span class="apple-style-span"><span style="font-size: 14pt; color: black; mso-bidi-font-weight: bold;"><span style="font-family: Times New Roman;">Essa escolha do local tem um caráter artificioso, como observa o professor Fernando Massote, e não é, ao menos, original. Antes de Aécio, o ditador Francisco Franco, da Espanha, já havia escolhido um local afastado de Madrid para construir uma universidade e tirá-la do foco das manifestações populares. E o governador nomeado pelo regime militar, Antônio Carlos Magalhães, construiu fora da agitação de Salvador o Centro Administrativo da Bahia, no começo da década de 1970. Cada qual escolhe seu mestre político, não é mesmo?</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span class="apple-style-span"><span style="font-size: 14pt; color: black; mso-bidi-font-weight: bold;"><span style="font-family: Times New Roman;">Na inauguração de hoje, além do avô do governador, foi homenageado Juscelino Kubitschek. Os áulicos de Aécio querem comparar sua obra à do fundador de Brasília. Mas essa é uma comparação também artificiosa. O entorno da Cidade Administrativa lembra mais corretamente as concepções arquitetônicas e urbanísticas terceiro mundistas, nas quais é comum ver-se palácios que têm seu brilho destacado pelas sombrias habitações das gentes miseráveis no seu entorno. A ocupação da região central do Brasil, apressada pela construção da nova capital, tem uma justificativa aceitável, do ponto de vista estratégico, político e social, que não se vislumbra no caso da obra de Aécio.<span style="mso-spacerun: yes;">  </span></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman;"><span class="apple-style-span"><span style="font-size: 14pt; color: black; mso-bidi-font-weight: bold;">O que Aécio fez foi isolar a administração estadual e protegê-la contra a população. Do jornal Hoje em Dia deste 4 de março: “</span></span><span style="font-size: 14pt; color: black;">A empresa Veotex, vencedora de licitação, no valor de R$ 10 milhões, informou que 1.079 câmeras de segurança garantem o monitoramento da Cidade Administrativa”.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: black;"><span style="font-family: Times New Roman;">E o que diz a Folha de S. Paulo, hoje?</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: black;"><span style="font-family: Times New Roman;">“A menos de um mês de deixar o cargo, o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), inicia sua despedida hoje, com a inauguração da maior obra de seus sete anos de gestão: um complexo administrativo erguido ao custo de R$ 1,688 bilhão. Após 112 anos, a sede oficial do governo de Minas sai do Palácio da Liberdade, inaugurado junto com a fundação da própria Belo Horizonte, e passa para o modernista Palácio Tiradentes, uma das cinco edificações projetadas pelo arquiteto Oscar Niemeyer na Cidade Administrativa de Minas Gerais. O valor investido vai demorar 18 anos para ser compensado pela economia prevista de R$ 92 milhões anuais. O R$ 1,69 bilhão é superior à soma dos orçamentos aprovados para este ano nas áreas de assistência social, cultura, habitação, meio ambiente, ciência e tecnologia, agricultura e esportes. Avaliadas inicialmente em cerca de R$ 550 milhões, as obras de engenharia chegaram a R$ 1,1 bilhão, o dobro do previsto. Somada a outros 87 contratos levantados pela<span class="apple-converted-space"> </span>Folha<span class="apple-converted-space"> </span>desde o início das obras, em janeiro de 2008, o custo total chega a R$ 1,69 bilhão. A 20 km do centro de BH, às margens da rodovia estadual que leva ao Aeroporto de Confins, a Cidade Administrativa não tem estrutura de serviços no entorno. Para facilitar a adaptação, Aécio reduziu a jornada dos servidores de oito para seis horas, até o final do ano.”</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: black;"><span style="font-family: Times New Roman;">Assinada por Breno Costa, correspondente do jornal paulista em Belo Horizonte, a notícia acrescenta um dado que a imprensa mineira ignorou até agora – e que vai continuar ignorando: “O volume de recursos movimentado pelo projeto que virou a menina dos olhos de Aécio Neves chamou a atenção do Ministério Público Estadual. Hoje, quatro inquéritos estão em andamento, todos referentes a supostas irregularidades em processos licitatórios. Nenhum deles chegou a conclusões, até o momento”.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: black;"><span style="font-family: Times New Roman;">A meu ver, o jornal paulista só se engana quando afirma que a Cidade Administrativa é a maior obra da gestão Aécio Neves. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: black;"><span style="font-family: Times New Roman;">O maior projeto do atual governo mineiro é outro, e interessa bem mais de perto à população do Estado. Chama-se Proacesso. Foi lançado em março de 2004 por Aécio Neves, com o objetivo de asfaltar estradas de acesso a 224 municípios mineiros. Seriam investidos R$ 1 bilhão até 2006, quando todo o projeto estaria executado, dos quais 100 milhões de dólares de empréstimos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: black;"><span style="font-family: Times New Roman;">Ao escrever sobre isso, no dia 30 de março de 2004, no blog Tamos com Raiva, adverti: “Obras em rodovias sempre foram escoadouros de recursos públicos, principalmente quando o governo não tem oposição, como acontece agora em Minas”. Pois bem. Leio no site do Departamento de <a href="http://www.der.mg.gov.br/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=98&amp;Itemid=261">Estradas de Rodagem</a></span><span style="font-family: Times New Roman;">:</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 0cm; text-align: justify; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 36.0pt;"><span style="font-size: 10pt; color: black; font-family: Symbol; mso-fareast-font-family: Symbol; mso-bidi-font-size: 12.0pt; mso-bidi-font-family: Symbol;"><span style="mso-list: Ignore;">·<span style="font: 7pt &quot;Times New Roman&quot;;">                  </span></span></span><span style="color: black;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Até o momento já foram concluídas as pavimentações de 138 acessos, beneficiando diretamente cerca de 906 mil mineiros.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 0cm; text-align: justify; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 36.0pt;"><span style="font-size: 10pt; color: black; font-family: Symbol; mso-fareast-font-family: Symbol; mso-bidi-font-size: 12.0pt; mso-bidi-font-family: Symbol;"><span style="mso-list: Ignore;">·<span style="font: 7pt &quot;Times New Roman&quot;;">                  </span></span></span><span style="color: black;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">O PROACESSO já pavimentou 3.480 km de rodovias, com investimentos superiores a R$ 2,2 bilhões, promovendo maior mobilidade aos usuários garantindo acessos aos equipamentos de educação e saúde, além de contribuir para o desenvolvimento econômico.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 0cm; text-align: justify; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 36.0pt;"><span style="font-size: 10pt; color: black; font-family: Symbol; mso-fareast-font-family: Symbol; mso-bidi-font-size: 12.0pt; mso-bidi-font-family: Symbol;"><span style="mso-list: Ignore;">·<span style="font: 7pt &quot;Times New Roman&quot;;">                  </span></span></span><span style="color: black;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">O PROACESSO continua contribuindo para fazer de Minas Gerais o melhor lugar para se viver. Até agora 61% dos acessos já foram pavimentados, 35% encontram-se em andamento e 1% contratadas (aguardando formalização do licenciamento ambiental), totalizando 219 acessos, ou seja, 97% do Programa. Os acessos restantes coincidem com a diretriz de rodovias federais, dependendo de recursos da União para sua execução.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 0cm; text-align: justify; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 36.0pt;"><span style="font-size: 10pt; color: black; font-family: Symbol; mso-fareast-font-family: Symbol; mso-bidi-font-size: 12.0pt; mso-bidi-font-family: Symbol;"><span style="mso-list: Ignore;">·<span style="font: 7pt &quot;Times New Roman&quot;;">                  </span></span></span><span style="color: black;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Em 2009 foi concluída a pavimentação de 37 acessos.</span></span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="color: black;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Última atualização: Janeiro/2010</span></span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: black;"><span style="font-family: Times New Roman;">Em seis anos, um projeto de R$ 1 bilhão já consumiu R$ 2,2 bilhões e está longe de ser concluído. Sem dúvida, essa é a maior obra da atual gestão.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: 10pt; color: black;"><span style="font-family: Times New Roman;">(*) Jornalista </span></span><span style="color: black;"></span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://massote.pro.br/2010/03/amaiorobradeaecioneves/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>UMA NOVA E RELUZENTE BRASÍLIA&#8230; ,  Fernando Massote</title>
		<link>http://massote.pro.br/2010/03/umanovaereluzentebrasilia/</link>
		<comments>http://massote.pro.br/2010/03/umanovaereluzentebrasilia/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 04 Mar 2010 22:30:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Massote</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Minas Gerais]]></category>

		<category><![CDATA[Política Nacional]]></category>

		<category><![CDATA[campanha eleitoral 2010]]></category>

		<category><![CDATA[Centro Administrativo de Minas Gerais]]></category>

		<category><![CDATA[Centro Administrativo Tancredo Neves]]></category>

		<category><![CDATA[desperdício de dinheiro público]]></category>

		<category><![CDATA[Governo Aécio]]></category>

		<category><![CDATA[Governo mineiro]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://massote.pro.br/?p=3560</guid>
		<description><![CDATA[


O grande auê em torno da “cidade administrativa” do Aécio Neves está sendo aprontado como se fora um grande episódio da vida nacional.  A montagem tem uma evidente engenharia fetichista: a construção, feita a toque de caixa e uma verdadeira derrama de  um bilhão e setecentos milhões de reais, para coincidir com o momento político [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<div>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman;"><span style="font-size: 14pt; font-family: Calibri;"><img class="alignleft size-full wp-image-3609" title="aecio3" src="http://massote.pro.br/wp-content/uploads/2010/03/aecio3.jpg" alt="aecio3" width="466" height="468" /></span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman;"><span style="font-size: 14pt; font-family: Calibri;">O grande auê em torno da “cidade administrativa” do Aécio Neves está sendo aprontado como se fora um grande episódio da vida nacional.  A montagem tem uma evidente engenharia fetichista: a construção, feita a toque de caixa e uma verdadeira derrama de  um bilhão e setecentos milhões de reais, para coincidir com o momento político – a desincompatibilização político-eleitoral do governador Aécio Neves – apoiada num projeto que segue as linhas, certamente que requentadas, já  familiares e criativas de Niemeyer; ela é apresentada como uma modernização político-administrativa que centraliza o comando  dos serviços estatais com o corolário muito propagandeado da falaciosa economia propiciada ao erário público com a desocupação de uma enorme estrutura física esparramada pela capital. </span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman;"><span style="font-size: 14pt; font-family: Calibri;">Envolvendo o cenário nacional, o fato quer chamar a atenção  para Minas Gerais, numa evidente  e programada disputa com São Paulo, no limiar de uma campanha eleitoral em que a elite econômica e política mineira busca resgatar o seu quinhão no exercício da liderança nacional, conquistando, quiçá, a Presidência da República&#8230; </span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman;"><span style="font-size: 14pt; font-family: Calibri;">Tancredo Neves é o  beneplácito simbólico maior desse processo que tem também outro componente excelente que é Juscelino Kubistchek. São elementos centrais da conexão  fetichista  do projeto da elite mineira - que tem Aécio como seu instrumento mais atual - com o cenário ou mesmo imaginário  nacional, de forma a  equipar-se poderosamente para a grande disputa de 2010.</span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman;"><span style="font-size: 14pt; font-family: Calibri;">Passando pelo local, ainda que velozmente, como todo mundo, a 110 quilômetros por hora, já que a construção beira o trecho rodoviário mais bem equipado/organizado do Estado (que leva ao aeroporto de Confins),  a obra me lembra a arquitetura  de muitos políticos tradicionalistas, senão francamente reacionários, mundo afora – como o ex-ditador Francisco Franco, na Espanha – de realizar grandes obras públicas fora dos limites da área historicamente mais urbanizada e ativa para protegê-las da  &#8220;ira política&#8221; dos setores sociais mais sacrificados. </span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman;"><span style="font-size: 14pt; font-family: Calibri;">Não consigo, portanto,  no caso, me liberar da imagem do elefante branco plantado  no meio do nada.  Não um nada de gente, não, mas um nada sócio-político e cultural capaz de isolar do povo o centro administrativo e político do Estado. O caráter conservador e artificioso da empreitada de Aécio e seus amigos é, assim, fortemente evidenciado. Com Aécio, de fato, à diferença, em grande parte, de Tancredo e Juscelino,  a ação política e administrativa é inteiramente voltada para trás.  É ele, com efeito, sempre em busca do poder pelo poder, uma jovem figura do passado. Falta-lhe o consistente pé no chão de quem tem grandes compromissos com a realidade.<br />
</span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: Calibri;"><span style="font-family: Times New Roman;">A inauguração do elefante branco  está se dando da forma mais hermeticamente oficial. O mundo  convidado e  mais em voga é constituído pelos grandes círculos políticos e administrativos dominantes  e a grande imprensa perplexa e em busca de referências em meio a crise política da candidatura do PSDB à Presidência da República. A imprensa, sobretudo mineira, com o jornal Estado de Minas na cabeça, já participa, assim, da inauguração de Aécio, da elite mineira e seus aliados nacionais,  apresentando a obra como uma nova Brasília, ainda que tão regional  ou ainda  e melhor, tão restritamente local&#8230; O que se quer é muito evidentemente aproveitar-se desse “buraco” (ou, como preferem os cientistas políticos bem comportados, ”vazio”) do sistema político nacional para projetar Aécio Neves, ou seja, o bem amado da elite mineira como candidato à Presidência da República. O que faz Aécio é sempre mais do mesmo: espetáculos de poder o mais distante possível da sociedade e de seus interesses mais legítimos e gerais.<br />
</span></span></p>
</div>
</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://massote.pro.br/2010/03/umanovaereluzentebrasilia/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>OS ASSASSINATOS DO MOSSAD EM DUBAI, Seumas Milne (*)</title>
		<link>http://massote.pro.br/2010/03/os-assassinatos-do-mossad-em-dubai-seumas-milne/</link>
		<comments>http://massote.pro.br/2010/03/os-assassinatos-do-mossad-em-dubai-seumas-milne/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 02 Mar 2010 00:20:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Massote</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Política Internacional]]></category>

		<category><![CDATA[Afeganistão]]></category>

		<category><![CDATA[Al Qaeda]]></category>

		<category><![CDATA[Atentados de Dubai]]></category>

		<category><![CDATA[Dubai]]></category>

		<category><![CDATA[Gordon Brown]]></category>

		<category><![CDATA[Hamas]]></category>

		<category><![CDATA[Iraque]]></category>

		<category><![CDATA[Israel]]></category>

		<category><![CDATA[Mossad]]></category>

		<category><![CDATA[Palestina]]></category>

		<category><![CDATA[política externa britânica]]></category>

		<category><![CDATA[Política externa norte-americana]]></category>

		<category><![CDATA[Questão afegã]]></category>

		<category><![CDATA[questão palestina]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://massote.pro.br/?p=3545</guid>
		<description><![CDATA[Imaginemos por um momento qual seria a reação se se acreditasse de modo quase generalizado que os serviços de inteligência iranianos assassinaram um dirigente de uma das organizações que lutam contra o governo de Teerã em um estado amigo do Ocidente. Consideremos agora, como poderia responder a Grã-Bretanha – e não os Estados Unidos –, se os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman;"><span style="font-size: 14pt; color: black;">Imaginemos por um momento qual seria a reação se se acreditasse de modo quase generalizado que os serviços de inteligência iranianos assassinaram um dirigente de uma das organizações que lutam contra o governo de Teerã em um estado amigo do Ocidente. Consideremos agora, como poderia responder a Grã-Bretanha – e não os Estados Unidos –, se os assassinos tivessem levado a cabo a operação utilizando passaportes falsos ou roubados de cidadãos de quatro estados europeus, entre eles a Grã-Bretanha, com dupla nacionalidade iraniana. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman;"><span style="font-size: 14pt; color: black;">Podemos estar seguros de que teria se desencadeado uma tormenta internacional de envergadura, ruidosas declarações sobre a ameaça do terrorismo de patrocínio estatal, e talvez um debate no Conselho de Segurança das Nações Unidas, com a exigência de sanções mais severas contra uma república islâmica cada vez mais perigosa.  </span><span style="font-size: 14pt;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman;"><span style="font-size: 14pt; color: black;">Ponhamos Israel onde se diz Irã, e teremos que a primeira dessas hipóteses é justamente a que se produziu em Dubai o mês passado. Um alto representante do Hamas, Mahmud Mabhuh, foi assassinado no seu quarto hotel no que desde o princípio se assumiu, de forma extensiva, que foi uma operação do serviço de inteligência israelense, o Mossad. Não se passou um mês e a suspeita se tornou no equivalente a uma certeza após se revelar que a equipe que levou a cabo o golpe utilizou as identidades dos passaportes de seis britânicos com dupla nacionalidade e que vivem atualmente em Israel. </span><span style="font-size: 14pt;"><span style="mso-spacerun: yes;"> </span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman;"><span style="font-size: 14pt; color: black;">Só que em lugar de por em andamento a reação diplomática, o governo britânico ficou sentado durante quase uma semana depois que, segundo se informa, tornaram-se conhecidos os detalhes do abuso cometido com os passaportes. E se o <em style="mso-bidi-font-style: normal;">Foreign Office</em> (Ministério do Exterior britânico) convocou finalmente o embaixador israelense para “compartilhar informação”, em vez de protestar, Gordon Brown só prometeu “uma investigação completa”.</span><span style="font-size: 14pt;"> <span style="color: black;"> </span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: black;"><span style="font-family: Times New Roman;">Paralelamente a tão lânguida resposta oficial, a maior parte dos meios britânicos tratou o assassinato como uma trepidante história de espionagem, mais que como um sangrento escândalo que submeteu cidadãos britânicos a um risco maior associando-os às esquadras da morte do Mossad. “Um golpe audaz”, proclamava entusiasticamente o <em>Daily Mail</em>, enquanto o <em>Times</em> se deleitava com o ataque, semelhante a um “misterioso assassinato bem tramado”.   </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman;"><span style="font-size: 14pt; color: black;">Ao longo do texto, reflete um temor reverente à reputação do Mossad, de cruel brilhantismo na hora de buscar e destruir os inimigos de Israel. Na verdade, a operação de Dubai resultou num serviço malfeito, tal como começou a reconhecer a imprensa israelense. Apesar de contar com um alvo relativamente fácil, um homem desarmado em um hotel de luxo de um estado não hostil do Golfo, o que o Mossad conseguiu foi que seus agentes fossem captados repetidas vezes por câmaras de circuito fechado e que se pusesse efetivamente a descoberto a responsabilidade de Israel por meio da torpe fraude dos passaportes.   </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: black;"><span style="font-family: Times New Roman;">Dubai continua uma longa história de trabalhos malfeitos do Mossad, desde o assassinato por acidente de um garçom marroquino na Noruega nos anos 70, confundido com um dirigente palestino do Setembro Negro</span><a style="mso-footnote-id: ftn1;" name="_ftnref1" href="http://massote.pro.br/wp-admin/#_ftn1"><span class="MsoFootnoteReference"><span style="mso-special-character: footnote;"><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size: 14pt; color: black; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA;">[1]</span></span></span></span></a><span style="font-family: Times New Roman;"> até a tentativa fracassada de assassinato em 1997 de Khalid Mish´al, dirigente do Hamas, na Jordânia, quando seus agentes tiveram que se refugiar na embaixada de Israel e os Estados Unidos obrigaram Israel a entregar um antídoto da toxina nervosa utilizada no atentado.   </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman;"><span style="font-size: 14pt; color: black;">Naquele caso, os frustrados assassinos levavam passaportes canadenses de cidadãos israelenses, aparentemente com seu consentimento. Mas ainda que o Mossad tenha feito uso de documentos britânicos em outros atentados, naturalmente evitou falsificar passaportes de seu patrocinador norte-americano. De modo que ao mesmo tempo que Israel exige ao governo britânico que mude sem demora as leis para impedir a detenção de dirigentes israelenses acusados de crimes de guerra em visita ao país, que planeja fazer a Grã-Bretanha em relação aos abusos de identidade sofridos por cidadãos seus com o fim de perpetrar um assassinato ordenado por um Estado?   </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: black;"><span style="font-family: Times New Roman;">Muito pouco, ao que parece. Parte da explicação está no que a Grã-Bretanha e os Estados Unidos têm feito, sem dúvida, levando a cabo suas próprias campanhas de assassinato, em violação às leis de guerra, no Iraque e no Afeganistão. Em seu novo livro sobre as operações secretas das SAS</span><a style="mso-footnote-id: ftn2;" name="_ftnref2" href="http://massote.pro.br/wp-admin/#_ftn2"><span class="MsoFootnoteReference"><span style="mso-special-character: footnote;"><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size: 14pt; color: black; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA;">[2]</span></span></span></span></a><span style="font-family: Times New Roman;"> no Iraque ocupado, Mark Urban calcula que foram assassinadas entre 350 e 400 pessoas em ataques britânicos secretos. O Controle Conjunto de Operações Especiais, dirigido pelo general Stanley McChrystal, hoje comandante das forças norte-americanas no Afeganistão, foi responsável por cerca de 3.000 mortes. No Paquistão se realizam rotineiramente hoje tentativas de assassinato com aviões não tripulados contra alvos do talibã ou da Al Qaeda, reais ou imaginados.   </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman;"><span style="font-size: 14pt; color: black;">E desde que lançou sua guerra contra o terror, os Estados Unidos adotaram a prática de Israel, que remonta a décadas atrás, de praticar os assassinatos longe do teatro de operações. Em princípio, os ataques de Israel se dirigiam contra líderes da OLP; mais recentemente, contra os islamitas. Mas desde o fiasco do atentado contra Mish´al, seus assassinatos se limitaram em sua maioria à Cisjordânia e à Faixa de Gaza, onde Israel levou a cabo na década passada uma resoluta tentativa de desestabilizar o conjunto da direção do Hamas.           </span><span style="font-size: 14pt;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman;"><span style="font-size: 14pt; color: black;">Agora esse enfoque voltou a se abrir. Sob a direção do chefe do Mossad, Meir Dagan, Israel está liberando uma guerra regional clandestina contra os dirigentes do Hizbola e do Hamas –que mantiveram ambos alto o fogo efetivo durante mais de um ano– e seus patrocinadores sírios e iranianos. Desde o assassinato do veterano dirigente do Hizbola, Imad ­Mughniyeh, em Damasco no ano de 2008, os assassinatos com o selo distintivo de Israel se multiplicaram no Líbano, Síria e Irã.</span><span style="font-size: 14pt;"> <span style="color: black;"> </span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman;"><span style="font-size: 14pt; color: black;">Mas o assassinato a sangue frio não constitui somente um crime moralmente repugnante. O que nos ensina a história colonial é que as campanhas para desarticular os movimentos de resistência nacional não apenas não funcionam, mas que, se o movimento tem raízes na sociedade, outros dirigentes ou organizações tomam seu lugar. Essa foi a experiência de Israel quando matou o dirigente do Hizbola ­Abbas Musawi e sua família em princípios dos anos 90, só para que o sucedesse Hassán Nasralá, mais efetivo e carismático.  </span><span style="font-size: 14pt;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: black;"><span style="font-family: Times New Roman;">Campanhas como essas tendem também a estender a guerra. À diferença das facções históricas da OLP, Hamas limitou sempre seus ataques a Israel e aos territórios palestinos. Em um artigo publicado no <em>Guardian</em> em 2007 </span></span><a style="mso-footnote-id: ftn3;" name="_ftnref3" href="http://massote.pro.br/wp-admin/#_ftn3"><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size: 14pt; color: black; mso-ansi-language: ES;" lang="ES"><span style="mso-special-character: footnote;"><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size: 14pt; color: black; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: ES; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA;" lang="ES">[3]</span></span></span></span></span></a><span style="font-size: 14pt; color: black;"><span style="font-family: Times New Roman;"> Mish&#8217;al confirmou o princípio de que a luta de resistência deveria se dar somente na Palestina. Mas com o resultado do assassinato de Dubai, os dirigentes do Hamas começaram a apontar que essa política poderia agora mudar, e que poderiam responder aos ataques de Israel “na cena internacional”.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman;"><span style="font-size: 14pt; color: black;">Se assim for, isso daria a medida exata da valorização de Ben Caspit no diário israelense <em>Ma&#8217;ariv</em> de 17 de fevereiro, segundo o qual o assassinato de Dubai teria resultado num “sucesso operacional tático e, contudo, num fracasso estratégico”. Até agora a resposta dos ministros britânicos à provocação do Mossad foi tímida. A menos que isso mude rapidamente, só o que podem fazer aumentar é o risco de se ver ainda mais envoltos num conflito prestes a estalar de novo a qualquer momento.  </span><span style="font-size: 14pt;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">(*) Analista britânico do <em style="mso-bidi-font-style: normal;">The Guardian</em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="mso-ansi-language: ES;" lang="ES"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Tradução: Paulo Barbosa</span></span></span></p>
<div id="ftn1" style="mso-element: footnote;">
<p class="MsoFootnoteText" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><a style="mso-footnote-id: ftn1;" name="_ftn1" href="http://massote.pro.br/wp-admin/#_ftnref1"><span class="MsoFootnoteReference"><span style="mso-special-character: footnote;"><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size: 10pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA;">[1]</span></span></span></span></a><span style="font-family: Times New Roman;"><span style="font-size: x-small;"> </span><span style="font-size: 12pt; color: black;">Setembro Negro, organização radical palestina, conhecida pelo sequestro e assassinato de onze atletas israelenses durante os Jogos Olímpicos de Munique</span><span style="font-size: 12pt;"> em 1972.</span></span></p>
</div>
<div id="ftn2" style="mso-element: footnote;">
<p class="MsoFootnoteText" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><a style="mso-footnote-id: ftn2;" name="_ftn2" href="http://massote.pro.br/wp-admin/#_ftnref2"><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size: 12pt;"><span style="mso-special-character: footnote;"><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA;">[2]</span></span></span></span></span></a><span style="font-size: 12pt;"><span style="font-family: Times New Roman;"> <span style="color: black;">SAS, Special Air Services, a força de operações especiais do exército britânico, criada em 1941 e ainda ativa.</span></span></span></p>
</div>
<div id="ftn3" style="mso-element: footnote;">
<p class="MsoFootnoteText" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><a style="mso-footnote-id: ftn3;" name="_ftn3" href="http://massote.pro.br/wp-admin/#_ftnref3"><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size: 12pt;"><span style="mso-special-character: footnote;"><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA;">[3]</span></span></span></span></span></a><span style="font-size: 12pt; mso-ansi-language: EN-GB;"><span style="font-family: Times New Roman;"> <span style="color: black;" lang="EN-GB">Khalid Misha´al, “A Time for Joy and Reflection”, <em>The Guardian</em>, 5 de julho de 2007.</span></span></span></p>
</div>
<hr size="1" />
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://massote.pro.br/2010/03/os-assassinatos-do-mossad-em-dubai-seumas-milne/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>BRASIL: VOCAÇÃO NATURAL E VONTADE DE POTÊNCIA, José Luís Fiori (*)</title>
		<link>http://massote.pro.br/2010/03/brasil-vocacao-natural-e-vontade-de-potencia-jose-luis-fiori/</link>
		<comments>http://massote.pro.br/2010/03/brasil-vocacao-natural-e-vontade-de-potencia-jose-luis-fiori/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 01 Mar 2010 21:31:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Massote</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Política Internacional]]></category>

		<category><![CDATA[Política Nacional]]></category>

		<category><![CDATA[Brasil]]></category>

		<category><![CDATA[eleições 2010]]></category>

		<category><![CDATA[papel do Brasil no contexto internacional]]></category>

		<category><![CDATA[sucessão de Lula]]></category>

		<category><![CDATA[Sucessão presidencial]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://massote.pro.br/?p=3543</guid>
		<description><![CDATA[Costuma-se falar de uma “vocação natural” dos países e dos povos, que estaria determinada pela sua geografia, pela sua história e pelos seus interesses econômicos. Mas ao mesmo tempo, sempre existiram países ou povos, que se atribuem um “destino manifesto” com o direito de ultrapassar os seus limites geográficos e históricos, e projetar o seu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Costuma-se falar de uma “vocação natural” dos países e dos povos, que estaria determinada pela sua geografia, pela sua história e pelos seus interesses econômicos. Mas ao mesmo tempo, sempre existiram países ou povos, que se atribuem um “destino manifesto” com o direito de ultrapassar os seus limites geográficos e históricos, e projetar o seu poder para além das suas fronteiras, com o objetivo de converter, civilizar ou governar os demais povos do mundo.</span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Entretanto, quando se estuda a história mundial, o que se descobre é que nunca existiram povos com vocações inapeláveis, nem países com destinos revelados. Descobre-se também, que todos os países que projetaram seu poder para fora de si mesmos, e conseguiram se transformar em “grandes potências”, foram em algum momento países periféricos e insignificantes, dentro do sistema mundial. E se constata, alem disto, que em todos estes casos de sucesso, existiu um momento em que havia uma distância muito grande entre a capacidade imediata que o país dispunha, e a sua vontade ou decisão política de mudar o seu lugar dentro da hierarquia internacional.</span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Uma distância objetiva, que foi superada sem voluntarismos extemporaneos, por uma estratégia de poder competente que soube avaliar em cada momento, o potencial expansivo do país, do ponto de vista político, econômico e militar. Donde se deva deduzir que existe uma “vontade de potência” mais universal do que se imagina, e que de fato o que ocorre é que a própria natureza competitiva e hierárquica do sistema impede que todos tenham o mesmo sucesso, criando a impressão equivocada de que só alguns possuem o destino superior de supervisionar o resto do mundo.</span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Por imposição geográfica, histórica e constitucional, a prioridade número um da política externa brasileira sempre foi a América do Sul. Mas hoje é impossível o Brasil sustentar os seus objetivos e compromissos sul-americanos, sem pensar e atuar simultaneamente em escala global. Partindo do suposto que acabou o tempo dos “pequenos países” conquistadores (como Portugal ou Inglaterra, por exemplo), e que o futuro do sistema mundial dependerá, daqui para frente, de um “jogo de poder” entre os grandes “países continentais”, como é o caso pioneiro dos EUA, e agora será também, o caso da China, da Russia, da India e do Brasil, excluida a União Européia enquanto näo for um estado único.</span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Neste jogo, os EUA já ocupam o epicentro e lideram a expansäo do sistema mundial, mas os outros quatro países possuem por si só, cerca de um quarto do território, e quase um terço da população mundial. E todos os quatro estäo disputando hegemonias regionais, e já projetam – em alguma medida – seu poder econômico ou diplomático, para fora de suas próprias regiões.</span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Pois bem, o que se deve esperar, na próxima década, é que a Russia se concentre na reconquista do seu antigo território e de sua zona de influencia imediata; que a expansäo global da China se mantenha no campo econômico e diplomático; e que a Índia siga envolvida com a construção de barreiras e alianças que protejam suas fronteiras, ao norte, onde se sente ameaçada pelo Paquistão e pelo Afeganistão, e ao sul, onde se sente ameaçada pelo novo poder naval da própria China.</span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Deste ponto de vista, comparado com estes três “países continentais”, o Brasil tem menor importância econômica do que a China e muito menor poder militar do que a Rússia, e que a Índia. Mas ao mesmo tempo, o Brasil é o único destes países que está situado numa região onde não enfrenta disputas territoriais com seus vizinhos, e por isto, é o país com maior potencial de expansão pacífica, dentro da sua própria região. Além disto, é o único destes países que contou – até aqui – com uma dupla vantagem com relação aos outros três, do ponto de vista de sua presença fora do seu próprio continente: em primeiro lugar, o Brasil usufruiu da condição de “potência desarmada”, porque está situado na zona de proteção militar incondicional dos Estados Unidos; e em segundo lugar, o Brasil usufruiu da condição de “candidato-herdeiro” à potência, porque é o único que pertence inteiramente à “matriz civilizatória” dos Estados Unidos.</span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Por isto, aliás, a expansão da influência brasileira tem seguido até aqui, a trilha que já foi percorrida pelos Estados Unidos, e pelos seus antepassados europeus. Mas além disto é fundamental destacar que o Brasil contou neste período recente com a liderança política de um presidente que transcendeu seu país, e projetou mundialmente sua imagem e sua influencia carismática. Como passou em outro momento, e numa outra clave, com a liderança mundial de Nelson Mandela, que foi muito além do poder real, e da influência internacional, da África do Sul.</span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Neste sentido, o primeiro que se deve calcular com relação ao futuro brasileiro, é que o fim do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, representará, inevitavelmente, uma perda no cenário internacional, como aconteceu também com a saída de Nelson Mandela. Com a diferença que o Brasil já está objetivamente muito à frente da África do Sul. Assim mesmo, para seguir adiante pelo caminho que já foi traçado, o Brasil terá que fazer pelo menos duas opçöes fundamentais e de longo prazo.</span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Em primeiro lugar, terá que decidir se aceita ou não a condição de “aliado estratégico” dos Estados Unidos, da Grã Bretanha e da França, com direito de acesso à tecnologia de ponta, mas mantendo-se na zona de influencia, e decisão militar dos Estados Unidos. Caso contrário, o Brasil terá que decidir se quer ou näo construir uma capacidade autônoma de sustentar suas posições internacionais, com seu próprio poder militar. Em seguida, o Brasil terá que definir a sua visão ou utopia, e o seu projeto de transformaçäo do sistema mundial, sem negar sua “matriz öriginária” européia, mas sem contar com nenhum “mandato” ou “destino”, revelado por Deus ou quem quer que seja, para converter, civilizar ou conquistar os povos mais fracos do sistema.</span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">De qualquer forma, uma coisa é certa: o Brasil já se mobilizou internamente e estabeleceu nexos, dependências e expectativas internacionais muito extensas, num jogo de poder que näo admite recuos. Nesta altura, qualquer retrocesso terá um custo muito alto para a história brasileira.</span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;"><em><span style="font-style: normal; mso-bidi-font-style: italic;">(*) Cientista político, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"></em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Times New Roman;">Originalmente publicado na revista Carta Maior</span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://massote.pro.br/2010/03/brasil-vocacao-natural-e-vontade-de-potencia-jose-luis-fiori/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>SOBRE O OBSCURANTISMO, Carlos Alberto de Barros Santos (*)</title>
		<link>http://massote.pro.br/2010/02/sobre-o-obscurantismo-carlos-alberto-de-barros-santos/</link>
		<comments>http://massote.pro.br/2010/02/sobre-o-obscurantismo-carlos-alberto-de-barros-santos/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 28 Feb 2010 13:53:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Massote</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://massote.pro.br/?p=3539</guid>
		<description><![CDATA[Embora muito prática, a comunicação internáutica é pra lá de falaciosa. Os textos saem lotados de solecismos, de repetições, de rimas, de lugares-comuns, enfim, de tudo aquilo que o manual do William Strunk adverte para se evitar. Os que tenho enviado não são diferentes. Relendo-os, descubro as barbaridades que escrevi quase sempre por pressa, por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Embora muito prática, a comunicação internáutica é pra lá de falaciosa. Os textos saem lotados de solecismos, de repetições, de rimas, de lugares-comuns, enfim, de tudo aquilo que o manual do William Strunk adverte para se evitar. Os que tenho enviado não são diferentes. Relendo-os, descubro as barbaridades que escrevi quase sempre por pressa, por descuido ou impaciência ao revisá-los. O processamento é fácil e cômodo: redige-se diretamente, faz-se revisão perfunctória (putz!), e não há que envelopar, selar ou postar. Basta encaminhar via e-mail. Mas, aí é que está: clicou “enviar”, já era, não tem mais jeito. Dentro dessa fatalidade acho que já enviei para a mesma pessoa expressões ou conceitos repetitivos três a quatro vezes. Sem falar em incorreções gramaticais e outros ilícitos redacionais igualmente passíveis de serem capitulados no Código Penal Brasileiro. O companheiro Lula é craque nessa matéria.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Pois é, já estou começando a me alongar. De olho nisso farei o possível para dar recado sucinto. Em primeiro lugar quero dizer que a <em style="mso-bidi-font-style: normal;">internet</em> me tem ajudado muito e é bem expressivo o que com ela tenho aprendido através das mensagens de alguns amigos e mestres. Por exemplo, uma destas me chamou a atenção para o problema da intertextualidade, assunto no qual estou procurando me aprofundar. Nessa linha tenho algumas referências: Barthes, Chomsky, alguns outros. Entretanto tenho pavor da obscuridade dos tratadistas desse tipo de tema. <span style="mso-spacerun: yes;"> </span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Não podendo abordar totalmente o assunto, falarei um pouco sobre o James Joyce. Meti-me a ler, primeiramente de maneira convencional e, depois, em diagonal, as longas páginas do <em style="mso-bidi-font-style: normal;">Ulisses.</em> Em verdade, já havia tentado essa empreitada há bem uns quarenta anos, não apenas no original – tentativa de mais ou menos cinco minutos – como na tradução brasileira do Houaiss, igualmente de curtíssima duração. Deu-se comigo o mesmo fenômeno ocorrido com Jung – e, por favor, não estou me comparando ao grande mestre – que quando empreendeu a dura tarefa de ler o livro relata ter interrompido a jornada na página 135, na qual adormecera duas vezes. E diz o seguinte: “A fabulosa diversidade do estilo de Joyce produz um efeito monótono e hipnótico. Nada vem ao encontro do leitor, tudo se desvia dele, deixando no seu espírito essa vaga curiosidade com que contemplamos<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>o que se vai. Ao chegar à página 135, caí definitivamente num sono profundo, depois de uns esforços heróicos para entrar no livro ou <em style="mso-bidi-font-style: normal;">fazer-lhe justiça,</em> como se costuma dizer. Quando algum tempo depois despertei, haviam se esclarecido de tal modo minhas maneiras de ver, que nesse momento comecei a ler o livro para trás.”</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">A verdade é que, para o autor de <em style="mso-bidi-font-style: normal;">Tipos Psicológicos</em>, Joyce exprime, do modo mais atroz, o vazio asfixiante, sentido ou esticado até o insuportável. E prossegue: “Esse vazio, absolutamente desesperante, é a tônica do livro inteiro. Não só começa ou acaba em nada, como se compõe de puros nadas”. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Sob esse aspecto, o <em style="mso-bidi-font-style: normal;">Grande Sertão</em>, do Guimarães Rosa, se distancia bastante de <em style="mso-bidi-font-style: normal;">Ulisses</em>. Por favor, atentem cuidadosamente para o seguinte: não farei qualquer restrição anti-rosiana significativa, pois, não sem razão, tenho pavor de ser detonado por um rosiano fanático, muito comum entre jovens intelectuais sobretudo de esquerda, tipo homem-bomba. Pois bem, a dificuldade de leitura do primeiro se prende unicamente à linguagem criada pelo seu autor – o falso dialeto caipira – ao passo que o segundo, além desse problema, apresenta o da absoluta ausência de acontecimentos significativos. Não sem propósito, estou me lembrando de uma <em style="mso-bidi-font-style: normal;">boutade</em> do terrível Agrippino Grieco sobre as criações do Rosa. Dizia ele que o primeiro crítico literário a saudar o <em style="mso-bidi-font-style: normal;">Sagarana, </em>livro inicial do novelista, foi o Paulo Rónai, intelectual húngaro radicado no Brasil. Daí por diante, o Guimarães, para se mostrar agradecido, passou a escrever&#8230; em húngaro.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Mas, voltemos ao Joyce. Otto Maria Carpeaux nos informa que o crítico Harry Levin contou, em <em style="mso-bidi-font-style: normal;">Ulisses</em>, 260.000 palavras, das quais cerca de 15.000 só aparecem uma vez. Essa mesma riqueza lexicológica revela-se particularmente na adjetivação. Joyce aproveita a capacidade da língua inglesa para formar substantivos e adjetivos compostos. Mas, colocando-se acima de todas as leis morfológicas, também cria palavras. A cidade de Dublin, por exemplo, é chamada Heliápolis, para lembrar o burgomestre Healy e para comparar o clericalismo dos irlandeses ao poder dos sacerdotes da cidade sagrada de Heliópolis no Egito antigo. Emprega largamente a onomatopéia. Imita sons e ruídos, mas também reflexos de luz. Usa trocadilhos e brinca com as palavras, como no exemplo bem conhecido: Sinbad o Sareiro, Tinbad o Tareiro,Jinbad o Jarreiro, Whinbad o Whareiro, Ninbad o Nareiro, Finbad o Fareiro, Binbad o Barreiro, Pinbad o Parreiro, Hinbad o Hareiro, Rinbad o Rareiro, Dinbad o Xareiro, Vinbad o Quareiro, Linbad o Yareiro e Xinbad o Phtareiro. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">É claro que não pesquei isso tudo no texto do Joyce, o qual jamais consegui romper, mas lendo seus intérpretes, como Carpeaux. Isso tudo me faz lembrar da glossolalia, também chamada de<em style="mso-bidi-font-style: normal;"> salada verbal</em>, verdadeira linguagem que o doente mental constrói para uso próprio, feita de neologismos extravagantes<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>reunidos sem nexo e desprovidos de qualquer significação. É um sinal da <em style="mso-bidi-font-style: normal;">desagregação associativa</em>, característica da bipolaridade, embora possa ser observada também em crianças, nos seus brinquedos e jogos de palavras. Assim, tenho para mim que todos os textos extremamente nebulosos, sejam jornalísticos, ensaísticos, talvez até mesmo jurídicos (estes, às vezes, por conveniência), terão sido originários de uma fonte com duas alternativas: alguém que não sabe escrever ou que é bipolar. Tal impressão aparece, também, toda a vez que ouço em conversa, palestra, aula ou discurso, cidadão de prosa desarticulada, falando coisas que ninguém entende. É psicótico ou não sabe se comunicar. Há também o velhaco, o malandro, mas esse é de nível baixo, fácil de ser desmascarado. Sobre a variedade jurídica, vale lembrar apenas um episódio bem conhecido: dizem que quando levaram<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>o AI-5 para o Chico Campos opinar - macaco velho em textos plenipotenciários - ele apenas recomendou : “ – Tudo bem, tudo bem. <span style="mso-spacerun: yes;"> </span>Mas é preciso embananar mais esse negócio.” </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">No caso de Joyce e Guimarães Rosa, não se pode absolutamente explicar os<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>neologismos como manifestação de psicopatologia.. Ambos, como artistas, criadores que foram, inventaram palavras perfeitamente conscientes de que eram necessárias como expressão de algo que as limitações do vocabulário se mostravam insuficientes para comunicar.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Para finalizar estas observações transcrevo uma anotação de Carlos Drummond de Andrade em seu livro/diário <em style="mso-bidi-font-style: normal;">O Observador do Escritório</em>, pela pertinência que encerra com o tema destas linhas. Como se segue: “<em style="mso-bidi-font-style: normal;">Julho,25- Aturdido leio no jornal o artigo em que se analisa um de meus poemas à luz das novas teorias lítero-estruturalistas. Travo conhecimento com expressões deste gênero:”dinamismo dos eixos paradigmáticos”,”núcleo sêmico”, “invariante semântica horizontal”, “forma de referência parcializante e indireta”, “matriz barthesiana”&#8230;O poeminha que me parecia simples , tornou-se sombriamente complicado, e me achei um monstro de trevas e confusão.”</em><span style="mso-spacerun: yes;">  </span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Que tal ?</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">(*) Médico e escritor<span style="mso-tab-count: 1;">  </span></span></span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://massote.pro.br/2010/02/sobre-o-obscurantismo-carlos-alberto-de-barros-santos/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>A BARRA DO BRAÚNA E A CANADENSE MALVADA, José de Souza Castro (*)</title>
		<link>http://massote.pro.br/2010/02/a-barra-do-brauna-e-a-canadense-malvada-jose-de-souza-castro/</link>
		<comments>http://massote.pro.br/2010/02/a-barra-do-brauna-e-a-canadense-malvada-jose-de-souza-castro/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 25 Feb 2010 22:47:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Massote</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Minas Gerais]]></category>

		<category><![CDATA[Política Nacional]]></category>

		<category><![CDATA[Barra do Braúna]]></category>

		<category><![CDATA[degradação do meio ambiente]]></category>

		<category><![CDATA[impacto ambiental]]></category>

		<category><![CDATA[multinacional Brascan]]></category>

		<category><![CDATA[usinas hidrelétricas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://massote.pro.br/2010/02/a-barra-do-brauna-e-a-canadense-malvada-jose-de-souza-castro/</guid>
		<description><![CDATA[
A construção da Usina Hidrelétrica de Barra do Braúna, na Zona da Mata mineira, de propriedade de uma empresa sediada em Curitiba, no Paraná, pertencente ao grupo canadense Brascan, desmente tudo aquilo que o governo de Minas vinha propagando quanto à responsabilidade social, dando como bom exemplo a Usina de Irapé, construída pela Cemig no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;"><img class="alignleft size-large wp-image-3535" title="represa1" src="http://massote.pro.br/wp-content/uploads/2010/02/represa1-1024x757.jpg" alt="represa1" width="449" height="333" /></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">A construção da Usina Hidrelétrica de Barra do Braúna, na Zona da Mata mineira, de propriedade de uma empresa sediada em Curitiba, no Paraná, pertencente ao grupo canadense Brascan, desmente tudo aquilo que o governo de Minas vinha propagando quanto à responsabilidade social, dando como bom exemplo a Usina de Irapé, construída pela Cemig no Vale do Jequitinhonha, com capacidade para gerar 360 MW de energia. O mesmo governo que incentivou e se beneficiou da ação social da estatal se curva à exploração que pratica uma poderosa multinacional contra cerca de 180 famílias da Zona da Mata expulsas de suas terras pelas obras de uma hidrelétrica de apenas 39 MW.<span style="mso-spacerun: yes;">  </span><span style="mso-spacerun: yes;"> </span></span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">A Usina de Irapé é obra estratégica para o governo de Minas Gerais, pois pode fornecer eletricidade a um milhão de pessoas e fomentar a economia regional, historicamente prejudicada pelo relevo acidentado e pelas condições climáticas e sociais. As águas do reservatório de Irapé são represadas por uma barragem de 208 metros de altura – a mais alta do Brasil e a segunda da América Latina – e banham terras de sete municípios. </span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">A Cemig obteve a licença prévia para o empreendimento, em dezembro de 1997, dada pela Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam). Para conseguir a licença de instalação, a empresa organizou estudos e reuniões com as lideranças municipais e a comunidade; a Emater fez o primeiro levantamento de terras aptas para o remanejamento da população afetada pela obra (cerca de 1.100 famílias) e, durante sua implantação, trabalhou na organização dos grupos, na montagem das associações, na elaboração dos planos de desenvolvimento dos assentamentos, no apoio aos plantios, entre outras atividades afins; a UFMG se responsabilizou pelo estudo do patrimônio arquitetônico; a Delphi Engenharia e Consultoria elaborou o Plano de Controle Ambiental; e a Fundação Palmares intermediou as negociações com a comunidade e estabeleceu os critérios para o remanejamento da Associação Quilombola Boa Sorte. Desse modo, em 2002, a Cemig pôde iniciar as obras. </span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Para reassentar as famílias, foram criadas 28 associações de reassentamento, em sete municípios da região, e montados dois escritórios, para que as famílias recebessem assistência de equipes de advogados e assistentes sociais, durante as negociações. Era um modelo de vanguarda no setor elétrico brasileiro. A Cemig havia assinado um Termo de Acordo, durante a etapa de licenciamento da obra, com intermediação do Ministério Público, dando chances reais de melhorar as condições de vida da população. </span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Pena que nada disso ocorreu no caso da usina da Brascan. A multinacional, na sua luta absurda contra os pequenos proprietários de terras que seriam inundadas em Laranjal, Recreio, Leopoldina e Cataguazes, teve apoio do presidente do Tribunal de Justiça de Minas, da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e do Copam. Aos pobres, restou apelar para a Comissão Pastoral da Terra (regional da Zona da Mata), que no último dia 2 divulgou à imprensa nota protestando contra decisão do presidente do Tribunal que “fere os direitos humanos das famílias atingidas pelo empreendimento”. </span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Sem qualquer repercussão. Mas as denúncias contidas na nota são graves: </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">1.Foi detectado que os empreendedores utilizaram propagandas enganosas e fizeram grandes promessas para a população, utilizando ainda uma dinâmica para individualizar todos os atendimentos e minar toda e qualquer possibilidade de diálogo coletivo. As famílias atingidas foram pressionadas de várias formas a aceitar o que a empresa propunha.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">2. A</span></span><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;"> Lei 12.812, de 24/04/1998, que trata das Concessões de Licenciamento, afirma: Art. 5º: A concessão de licenciamento ambiental aos empreendimentos públicos ou privados de aproveitamento hídrico de que trata esta lei depende da apresentação de estudos<br />
ambientais que inclua plano de assistência social aprovado pelo CEAS. § 1º: A licença de instalação fica condicionada à aprovação do Plano de Assistência Social apresentado pelo empreendedor. § 2º: A licença de operação fica condicionada à comprovação, pelo CEAS, da implantação do plano.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">3. Em agosto de 2009, o Conselho Estadual de Assistência Social (CEAS) não aprovou o Plano de Assistência Social. No mês seguinte, porém, a presidente do Conselho o aprovou <em style="mso-bidi-font-style: normal;">ad referendum</em> dos conselheiros, o que acarretou na aprovação da Licença de Operação dada pelo secretário-adjunto <em style="mso-bidi-font-style: normal;">ad referendum</em> da Secretaria de Meio Ambiente de Minas Gerais.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">4. As reclamações dos que foram ameaçados por não entregarem suas terras por um preço irrisório foram levadas pela CPT ao conhecimento do Copam (Regional Zona da Mata), no dia 24 de agosto de 2009, que alegou nada poder fazer. Então, foram encaminhadas ao CEAS, que após vistoria no local verificou sua procedência e cassou a licença aprovada <em style="mso-bidi-font-style: normal;">ad referendum</em>.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">5. Ao mesmo tempo, foi acionada a Justiça. A juíza Mariângela Meyer Pires Faleiro, da 7ª Vara Pública de Belo Horizonte, concedeu liminar no dia 23 de novembro último, anulando a Licença de Operação concedida, <em style="mso-bidi-font-style: normal;">ad referendum</em>, pelo secretário-adjunto da Secretaria de Meio Ambiente. Com isso, o Copam Zona da Mata foi obrigado a retirar de pauta o processo de Licenciamento Ambiental da UHE Barra do Braúna, e ficou suspenso o enchimento do lago.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">6. Mas a esperança dos atingidos pela barragem durou pouco. O presidente do Tribunal de Justiça revogou a liminar, com a justificativa de prejuízo à economia pública, mesmo diante da Resolução do CEAS/MG que considera não implantado o Plano de Assistência Social (requisito legal para concessão da LO).</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">7. Mais uma vez a Justiça mineira se mostrou ao lado dos ricos e donos de grandes empreendimentos como a Brascan, desconsiderando todo o sofrimento das mais de 180 famílias atingidas que são pressionadas todos os dias, incluindo idosos.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Ainda de acordo com a nota resumida acima, em 2004 o presidente do TJMG já havia suspendido liminar que havia anulado a Licença de Operação de Barragem da UHE de Candonga, em razão das pendências sócioambientais não resolvidas.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">O presidente do Tribunal de Justiça parece preocupado com a economia, mas a nota da CPT indaga: “O que prejudica a economia? Uma barragem não funcionar ou pisar em cima dos direitos sociais das populações atingidas por barragens?” E conclui:</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">“Nós da Comissão Pastoral da Terra denunciamos os desrespeitos aos Direitos Humanos que vêm acontecendo nesta barragem e a forma com que os atingidos estão sendo pressionados de todos os lados e tratados pela Justiça Mineira.<span class="apple-converted-space"><strong> </strong></span>Repudiamos a atitude isolada da Secretaria de Meio Ambiente de MG que liberou a LO e permitiu o enchimento do lago, sendo que há várias pendências sócio-ambientais lá, com denúncias ao CEAS e ao próprio COPAM–ZM. É inaceitável que (uma) região seja ameaçada de destruição, em nome do ‘progresso’ capitalista e do apelo consumista do mercado, que só visa ao lucro imediato e à acumulação de riquezas, explorando o trabalho humano e ignorando o equilíbrio da vida e da natureza. Denunciamos este processo como inerentemente maléfico porque baseado na falta de respeito aos direitos humanos, especificamente aos idosos, ferindo o Estatuto dos Idosos, violando assim direitos humanos sociais e ambientais. Denunciamos ainda o favorecimento dos governos que apóiam financeiramente este processo, inclusive com verbas do BNDES, da qual grande parte de seu capital vem dos trabalhadores deste País. Reafirmamos nosso compromisso na luta contra as violações dos direitos humanos e renovamos nosso compromisso junto aos atingidos.”<br />
<strong style="mso-bidi-font-weight: normal;">Um pouco de história</strong></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">A concessão de uso de bem público, para exploração da UHE Barra do Braúna, no rio Pomba, foi outorgada por decreto, em 19/02/2001, à empresa Cat-Leo Energia S.A., do Grupo Energisa. O contrato com a ANEEL foi assinado 25 dias depois. E ficou por isso mesmo, até que em 27/07/2006 foi assinado o Primeiro Termo Aditivo ao contrato, para formalizar a transferência da concessão à empresa Cat-Leo Construções, Indústria e Serviços, do mesmo grupo. A nova concessionária solicitou prorrogação de prazo para a </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">implantação da usina. E em 12/06/2007, a Cat-Leo pediu aprovação do governo para a transferência da concessão para implantação e exploração para a empresa Barra do Braúna Energética S.A., também do Grupo Energisa. O projeto básico da usina foi aprovado em julho de 2007. A vazão de dimensionamento do vertedouro passou para</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">3.296 m³/s. No mesmo mês, foi solicitada anuência prévia visando à transferência do seu controle societário para a empresa Brascan. Isso também foi aprovado. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Apesar de todos os atrasos, que desmentem a urgência vista pelo presidente do TJMG para derrubar a liminar de primeira instância, as concessionárias nunca foram punidas por nenhum órgão do governo federal ligado à questão. A ANEEL até autorizou, em 28/08/2007, à Cat-Leo Construções, Indústria e Serviços de Energia S.A. postergar o início do pagamento pelo uso de bem público (UBP) no valor de R$ 3 milhões. Um mês depois, informou-se que a alteração das datas de entrada em operação comercial da UHE não implicaria conseqüências para a operação otimizada dos recursos energéticos e de comercialização de energia.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">O CADE também não viu problema em autorizar que a Brascan comprasse da Energisa uma dúzia de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) situadas na Zona da Mata mineira, além da usina de Barra da Braúna. Essas PCHs têm capacidade para gerar entre 1.000 e 30.000 kW. Segundo o CADE, depois dessa operação, a concentração de geração de energia do grupo canadense ficaria inferior a 4% de toda a geração brasileira.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">Nada muito significativo, pelo menos por enquanto. Nnunca se sabe até onde vai o poder de fogo da Brascan nessa área, mas, pelo que já fez na Zona da Mata mineira, vê-se que ela é ousada e tem a proteção de gente poderosa nos governos federal e mineiro. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;">A mim, ao contrário do presidente do Tribunal de Justiça, a importância de Barra da Braúna não impressiona, com sua potência a ser instalada para 39 MW (dos quais 13 MW já em operação comercial), sua barragem com 34 m de altura e 340 m de extensão, seu reservatório com área de 8,4 km² e volume de água de 33,6 milhões de m³. Tudo muito pequeno, se comparado com Irapé e com o grande problema que o empreendimento canadense trouxe a 180 famílias da Zona da Mata mineira.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: small; font-family: Times New Roman;">(*) Jornalista</span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://massote.pro.br/2010/02/a-barra-do-brauna-e-a-canadense-malvada-jose-de-souza-castro/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
	</channel>
</rss>
